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São Paulo - Em paralelo às inovações tecnológicas de dentro do campo, startups têm seguido por outra frente contribuindo para que os produtores rurais melhorem a produtividade por meio de serviços inovadores para as áreas administrativas das fazendas.

De acordo com o 1° Censo Agtech Startups Brasil, da StartAgro, que coletou respostas múltiplas de 75 startups do agronegócio, as áreas de maior atuação das empresas são tecnologias de suporte à decisão (56%), softwares para gestão (50%), agricultura de precisão (24%) e equipamentos inteligentes e hardware (25%).

O diretor de executivo da aceleradora ACE para a área de programas corporativos, Thiago Ururahy, confirma que esse movimento é uma realidade. "É uma tendência você trazer inteligência para o campo", avalia. "A maior que a gente enxerga é agricultura de precisão com satélites, sensores e radares", acrescenta Ururahy.

Atualmente, a ACE mantém um programa de estímulo ao empreendedorismo e inovação no agronegócio, o AgroStart. Para isso, a empresa conta com a parceria da companhia química Basf.

A startup de São José dos Campos, no interior do Estado de São Paulo, Agronow é uma das que têm trabalhado com soluções que utilizam satélites.

Fundada em 2015, a empresa oferece ao produtor rural uma plataforma on-line, que tem como principal serviço prever a quantidade e qualidade da safra.

Para isso, o usuário do software da Agronow deve desenhar uma área no mapa, escolher a data na qual gostaria de obter o mapeamento de informação e esperar o retorno.

Com os algoritmos desenvolvidos pela empresa, o fazendeiro recebe informações, tais como análise da vegetação e solo, umidade, temperatura e altimetria. "A ferramenta informa ao produtor se ele vai ter uma safra grande, se pode vender em mercado futuro, se suas práticas agrícolas estão surtindo efeito", afirma o principal executivo da empresa nascente, Antonio Morelli.

Além dos produtores, algumas empresas também utilizam as ferramentas da Agronow. Segundo Morelli, o número chega a 15 contratantes e outros 50 testando a plataforma. Tanto as companhias quanto os fazendeiros pagam assinatura mensal de R$ 19, mais um real por hectare mapeado. A empresa tem a perspectiva de chegar a um faturamento de R$ 3 milhões até o final deste ano, seu primeiro de operação.

Com o mesmo objetivo, a startup paulistana Scircop tem como objetivo fornecer aos produtores dados de previsão climática, pragas e cotações de mercado, assim como ferramentas de logística e gestão.

A empresa, ao contrário da Agronow, utiliza tecnologias como machine learning (aprendizagem automática do sistema com base em inteligência artificial) e big data (armazenamento de dados) para fazer as previsões de sua solução, chamada "Agroassist".

"Nosso sistema recolhe dados, como se fosse um grande leitor de jornais e cotações e ele vai fazendo as previsões", conta o CEO da empresa, José Damico. Atualmente, a startup trabalha com mais de 30 terabytes de informações por dia.

Além desse serviço, a empresa também oferece estações meterológicas para que os fazendeiros instalem dentro das áreas de suas colheitas. "Nem todos os dados eram simples de pegar, os dados de como o agricultor estava agindo dentro de sua propriedade era um desses", afirma Damico. Para oferecer informações mais qualificadas, a Scicrop passou a coletar dados de dentro das fazendas também.

Por todos os serviços do Agroassist, a empresa cobra do produtor rural uma assinatura mensal, em três pacotes diferentes: o básico, com informações somente do clima de áreas com até 50 hectares, por R$ 10; pacote com ferramentas de gestão, no valor de R$ 49; e o pacote completo, com preço de R$ 149. Hoje, 1.300 fazendeiros utilizam a plataforma e a perspectiva é de ter 10.000 até o final do ano.

Foco na gestão

O trabalho de outras empresas enxutas no agronegócio está em fornecer ferramentas de gestão financeira, fluxo de caixa e de insumos, além de registrar a movimentação de entrada e saída dos produtos. É o caso da startup de Uberlândia, em Minas Gerais, Agrosolutions, que criou uma plataforma on-line que oferece ao produtor rural módulos para administrar suas fazendas.

Ainda fora de operação comercial, a plataforma da empresa nascente é testada em 40 áreas rurais. "A maioria das fazendas tem baixo índice de controle, principalmente na parte gerencial e administrativa", afirma o fundador da empresa, Eduardo Rezende. Para o empreendedor, é primordial ao produtor saber tudo sobre os gastos, registro de clientes e fornecedores, fluxo de caixa e operações em geral.