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SÃO PAULO - O Museu da Casa Brasileira (MCB) apresenta em seu jardim mostra inédita de Hugo França, que trabalha, há mais de 20 anos, com ?o reaproveitamento e transformação da madeira. Em cartaz até o dia 19 de outubro, a mostra "Resgate na Natureza" marca o retorno do designer ao museu 10 anos depois da sua primeira exposição individual no local.



Composta por 15 itens, entre casulos, esculturas, mesas e bancos das mais variadas dimensões, a exposição está disposta no jardim do MCB de modo a propiciar interações com os visitantes. Especialmente produzidas para a ocasião, as peças foram criadas a partir de árvores mortas, característica central e requisito básico para as intervenções do designer.



"Só trabalho com árvores mortas, que normalmente se encontram já caídas, ou com a base do tronco que pode estar enterrada até dois metros abaixo da superfície da terra, mas é perfeitamente aproveitável. Desenterramos essas raízes, que são utilizadas na produção das minhas peças. Essa parte que fica subterrânea é a que tem formas mais orgânicas - formas com as quais normalmente não temos contato", explica o artista.

 

Nos anos 1980, Hugo França morou no sul da Bahia, em Trancoso, onde mantém ateliê até hoje. Foi neste período que conheceu a matéria prima que norteia sua produção: o pequi-vinagreiro. "Esta é uma árvore que só ocorre no norte do Espírito Santo e no sul da Bahia. Está praticamente extinta e tem alto valor arqueológico. Ela chega à idade adulta com 200 anos e pode viver em torno de 1.200 anos".



Na mostra no MCB, Hugo França expõe peças de características funcionais - como poltronas, bancos e mesas -, mas também obras de natureza exclusivamente escultórica. "O aspecto escultórico é o lado poético do meu trabalho; a funcionalidade é o lado racional. É por isso que, ao escrever sobre o meu trabalho, Ethel Leon chamou-o de esculturas mobiliárias, destacando o fato de eu lidar com o racional e com o poético ao mesmo tempo."



Serviço:



Exposição Hugo França - Resgate na Natureza, no Museu da Casa Brasileira, à Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705; no Jardim Paulistano. Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h. Visitação ao público até 19 de outubro. Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia-entrada). Entrada gratuita aos sábados, domingos e feriados. Informações: (11) 3032-3727.