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Por Andrew MacAskill e Kate Holton

LONDRES (Reuters) - O ex-primeiro-ministro britânico John Major prometeu nesta quarta-feira ir aos tribunais para impedir que o correligionário conservador Boris Johnson suspenda o Parlamento e sujeite a rainha a uma crise constitucional para concretizar uma separação da União Europeia sem acordo.

Johnson, o favorito para vencer a eleição da liderança conservadora e assim se tornar o próximo premiê do Reino Unido, se recusou a descartar suspender, ou prorrogar, o Parlamento para fazer com que o Reino Unido deixe a UE no dia 31 de outubro -- com ou sem um acordo.

Tal medida poderia provocar uma crise constitucional em uma das democracias mais antigas e estáveis do mundo porque o Parlamento é contra uma saída caótica, sem um acordo de transição para amenizar o impacto econômico do rompimento com o bloco.

Embora caiba essencialmente ao premiê tomar a decisão, Major, um oponente do Brexit que não se absteve de criticar seu partido neste tema, disse que a medida exigiria a bênção da rainha.

"Para fechar o Parlamento, o primeiro-ministro teria que ir até Sua Majestade, a rainha, e pedir sua permissão para prorrogar", disse ele à rádio BBC. "Se seu primeiro-ministro lhe pedir essa permissão, é quase inconcebível a rainha fazer qualquer coisa senão concedê-la".

"Então ela se verá no meio de uma polêmica constitucional em que nenhum político sério deveria colocar a rainha. Se isso acontecesse, haveria uma fila de pessoas que pediriam uma revisão judicial. Eu, por exemplo, estaria pronto para pedir uma revisão judicial".

Major acusou Johnson de hipocrisia por apoiar o Brexit para dar mais poder ao Legislativo do país e depois propor ignorar os parlamentares quando lhe convém.