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Por David Milliken e William James

LONDRES (Reuters) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, intensificou, neste domingo, apelos ao líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, por um acordo entre as duas legendas para a saída do país da União Europeia, depois de resultados ruins de ambos em eleições locais na Inglaterra. 

Os partidos estão em negociações há mais de um mês para tentar chegar a um acordo para o Brexit que seja apoiado pela maioria do Parlamento, depois que o governo de minoria de May sofreu três pesadas derrotas em votações do acordo que ela fechou com Bruxelas, o que levou a um adiamento da separação.

“Ao líder da oposição, digo isto: vamos ouvir o que os eleitores disseram nas eleições locais e colocar nossas diferenças de lado por um momento. Vamos chegar a um acordo”, escreveu May no jornal Mail on Sunday. 

O Partido Trabalhista respondeu dizendo que qualquer acordo tem que ser realizado rapidamente, mas acusou May de vazar detalhes sob discussão e prejudicar as conversas. 

O Partido Conservador, de May, perdeu mais de 1 mil assentos em conselhos locais na Inglaterra na eleição de quinta-feira, enquanto os trabalhistas --que esperavam ganhar centenas de assentos nas eleições de meio de mandato-- perderam 81. 

As conversas com os trabalhistas são o último recurso de May, cujas profundas divisões do seu partido em relação ao Brexit impediram que ela aprovasse o acordo de saída e deixou a quinta maior economia do mundo em um prolongado limbo político.

O Sunday Times publicou que os conservadores ofereceriam novas concessões para os trabalhistas quando as conversas recomeçarem na terça-feira, incluindo uma união aduaneira temporária com a União Europeia até a eleição nacional marcada para junho de 2022. 

“Nessa altura, o Partida Trabalhista pode usar seu manifesto para defender um Brexit mais leve, se quiserem, e um novo primeiro-ministro conservador pode defender um Brexit mais duro”, disse uma fonte citada pelo Sunday Times. 

Os trabalhistas colocaram uma união aduaneira permanente com a União Europeia como uma condição para apoiar os planos de May para o Brexit, enquanto a maioria dos conservadores se opõe a uma união aduaneira, alegando que impediria o Reino Unido de fechar seus próprios acordos comerciais com outros países.

(Reportagem de David Milliken e William James)