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SÃO PAULO (Reuters) - Dois navios iranianos parados há semanas no porto de Paranaguá (PR) poderão deixar o local neste sábado depois que a empresa que fretou as embarcações conseguiu decisões judiciais que obrigam a Petrobras a abastecê-los.

Os navios ficaram parados depois que a Petrobras se recusou a lhes vender combustível por causa de sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã.

O abastecimento de um dos navios, o Bavand, começou por volta das 5h deste sábado e o navio deve deixar Paranaguá por volta das 21h em direção ao Irã, sem fazer paradas, com uma carga de milho, disse uma porta-voz do Sindicato dos Práticos de Paranaguá, Sinprapar, à Reuters por telefone.

De acordo com o sindicato, o abastecimento do outro navio, o Termeh, começou à 1h e essa embarcação deve zarpar às 13h em direção ao porto de Imbituba, onde deverá ser carregado de milho para exportação.

Na sexta-feira, o presidente-executivo da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse à Reuters em entrevista que a empresa obedeceria decisão do Supremo Tribunal Federal para abastecer os navios iranianos.

O abastecimento das embarcações marca o fim de um longo impasse marcado pela recusa da Petrobras de abastecer os navios, disse o escritório de advocacia Kincaid Mendes Viana, que representa a Eleva, empresa responsável pelo fretamento dos navios.

Os navios iranianos estão no porto de Paranaguá há mais de 50 dias, disse o escritório em comunicado divulgado neste sábado, e retornarão ao Irã levando uma carga de 100 mil toneladas de milho, avaliada em 100 milhões de reais.

(Reportagem de Ana Mano, em São Paulo, e de Marta Nogueira, no Rio de Janeiro)