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Por Gabriel Araujo

PRAIA GRANDE (Reuters) - O título do Brasil na Copa América sem a presença de Neymar serviu para que defensores de que a seleção depende da presença do atacante "calem a boca um pouco, falem menos e respeitem mais todos os jogadores", afirmou o atleta neste sábado, em um evento em seu instituto em Praia Grande (SP).

Ausente do torneio por conta de uma lesão no tornozelo, sofrida em amistoso de preparação contra o Catar, Neymar disse em entrevista à Reuters que ficou contente e emocionado pelo título de seus companheiros, consumado após vitória sobre o Peru, por 3 x 1, em final disputada no Rio de Janeiro.

"Independente da forma, se eu estava jogando ou não, eu até fiquei muito mais feliz de eles vencerem a Copa América do que se eu estivesse em campo", disse o jogador. "Ninguém conhece o que a gente passa ali dentro, ninguém sabe como a gente torce um pelo outro... Isso serviu para que muita gente cale a boca um pouco, fale menos e respeite mais todos os jogadores."

O atleta, que possui contrato com o Paris Saint-Germain mas não se reapresentou ao time na data inicialmente definida pelo clube, ampliando os rumores de que possa estar de saída da equipe, disse que está recuperado da lesão e que treinará normalmente com o grupo quando retornar, o que deve ocorrer na segunda-feira.

A ausência de Neymar gerou uma resposta do PSG, que prometeu tomar “medidas apropriadas”. A equipe que assessora o atacante, no entanto, disse que a data de apresentação foi acertada previamente com os atuais campeões franceses.

"A lesão está bem, voltando já vou treinar normalmente com o grupo, 100%", disse ele, que chegou a participar de jogos de futebol de 5 no evento deste sábado, organizado pela empresa de energéticos Red Bull, e mostrou estar em forma para voltar aos gramados.

"Foram dias duros depois da lesão, mas tive que ter o foco e me cuidar para que eu pudesse voltar o mais rápido possível", disse Neymar, que além da lesão no tornozelo também enfrentou, à época, uma acusação de estupro, que ele nega e que segue sendo investigada pela polícia.

Neymar tem sido alvo de rumores sobre um possível retorno ao Barcelona, clube que deixou em agosto de 2017 em direção a Paris pelo valor recorde de 222 milhões de euros. Neste sábado, o jogador optou por não falar sobre essas especulações e sobre seu futuro.

 

JOGOS OLÍMPICOS

Apesar da ausência na equipe campeã continental neste ano, Neymar terá uma nova chance para conquistar a Copa América em 2020, pois o torneio voltará a ser disputado, desta vez com sede em Argentina e Colômbia. Na mesma época, porém, outra competição importante figura no calendário, a Olimpíada de Tóquio, e Neymar admite que atuar nos dois torneios é algo que ainda deve ser analisado.

Protagonista da conquista do primeiro ouro olímpico do futebol brasileiro em 2016, no Rio de Janeiro, o jogador lembrou que precisou abrir mão de disputar a Copa América naquele ano para atuar nos Jogos e levar a medalha para casa, pois o Barcelona, sua então equipe, não o liberou para as duas competições.

"É caso de pensar, porque eu deixei de jogar uma Copa América para disputar as Olimpíadas... É algo que tem que ser pensado, tem que ser conversado, e óbvio que eu sempre estou à disposição da seleção brasileira", concluiu o jogador, que para disputar a Olimpíada pela terceira vez teria de entrar em uma das vagas destinadas a atletas com mais de 23 anos de idade.

Para garantir vaga na Olimpíada, a seleção brasileira sub-23 terá de conquistar uma das duas vagas para os Jogos durante o torneio sul-americano pré-olímpico, que será disputado entre janeiro e fevereiro do ano que vem na Colômbia. O terceiro colocado terá de passar por uma repescagem para ir a Tóquio.