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RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um procurador do Estado do Rio de Janeiro foi preso nessa segunda-feira acusado de receber mais de 1 milhão de reais do esquema do ex-governador Sérgio Cabral (MDB) para favorecer a empreiteira Odebrecht.

O procurador Renan Saad foi detido em casa, no bairro de São Conrado, área nobre da cidade, e a Polícia Federal ainda cumpriu mandado de busca e apreensão no escritório e na casa dele.

“De acordo com as investigações, ele teria recebido quantia para confeccionar parecer favorável a alteração das obras da linha 4 do Metrô, que beneficiaria a organização criminosa vinculada ao ex-governador Sérgio Cabral”, informou a PF em nota.

O procurador teria dado pareceres para mudar o traçado da linha 4 do Metrô do Rio, que liga a zona oeste a zona sul da cidade, e que foi inaugurada para os Jogos Olímpicos de 2016.

A mudança de traçado teria sido feita propositalmente para tornar a obra mais cara e render o recebimento de recursos indevidos que somariam cerca de 1,3 milhão de reais.

A obra da linha 4 custou aproximadamente 11 bilhões de reais, muito mais do que o valor previsto, que originalmente era de 1 bilhão de reais e que posteriormente foi revisto para 6 bilhões de reais.

A Procuradoria-Geral do Estado informou que está apurando as denúncias, contribuindo com o Ministério Público Federal, mas alega que os eventuais crimes ocorreram quando Saad estava cedido à Secretaria Estadual de Transportes no governo Cabral.

“A PGE-RJ informa ainda que os fatos dos quais o procurador é acusado remontam ao período em que ele estava lotado como assessor jurídico-chefe da Secretaria de Estado de Transportes (Setrans), nomeado na gestão do ex-governador Sérgio Cabral, cargo do qual foi exonerado em junho 2012”, informou o órgão em nota.

 

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)