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O papel do médico diante das transformações e inovações na forma de relacionamento e tratamento dos pacientes também passará por uma revolução. “Temos pela frente a necessidade de reformas políticas (fiscal, previdenciária, teto de gastos), que certamente irão afetar todos os setores da economia, inclusive a saúde. Precisaremos de investimentos em infraestrutura, inclusive a relacionada ao setor de saúde. O papel do profissional de saúde neste ambiente seguirá sendo essencial, contudo, a forma de relacionamento entre médicos, pacientes e agentes deste segmento deverá atingir novos patamares”, avalia Alexandre Holthausen Campos, diretor de graduação em medicina e diretor acadêmico de ensino do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

Ao apresentar o painel “Educação: o que precisamos para hoje e o que queremos para o futuro dos profissionais de saúde” durante a tarde desta quarta-feira (07), no 6º Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp), que está sendo realizado em São Paulo, Campos enfatizou que o perfil do médico no futuro é o do profissional que entende a necessidade da instrução, mas, que, “acima de tudo um bom médico precisa gostar de gente!”. Além disso, deve ser intelectualmente autônomo e, ao mesmo tempo, estar disposto a trabalhar em grupo, complementa o diretor.

Campos pontua que o perfil da população está mudando, envelhecendo. “Já não temos mais a pirâmide de jovens e vamos precisar aprender a lidar com as necessidades e o perfil deste consumidor, que com o advento da tecnologia e da informação, é muito mais instruído, tem acesso à informação, questiona os procedimentos adotados e, principalmente, deseja e requer um atendimento de qualidade”, observa.

Uma das consequências desse novo perfil de paciente é que ele se cuida mais, e, consequentemente, irá usar cada vez menos internações. “É neste ambiente que a medicina baseada em valor ganha espaço e os profissionais serão remunerados pela qualidade daquilo que entregam”, diz. Neste cenário, os médicos precisarão ser formados para a prevenção das doenças e promoção da saúde, diferente do modelo antigo em que os profissionais eram solicitados para agira quando a doença já havia se instalado. “O profissional do futuro terá de ter entre suas capacidades as de relacionamento e escuta. O médico terá que saber curar, mas também será imprescindível saber cuidar e esse processo requer uma comunicação mais efetiva entre as partes envolvidas”, enfatiza Camp os.

Para o professor assistente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Gonzalo Vecina, um líder tem que ter como um dos seus componentes o compromisso social. “É possível ensinar isso? Sim, basta mostrar adequadamente a realidade. Eles precisam entender como intervir na realidade para mudar para melhor. Um dos problemas que vejo na formação do médico é que a escola é parte do processo. Ele vai para o mercado, vai para residência, e essa história precisa continuar, para ser de sucesso”, orienta.