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Os recentes episódios da política nacional têm ressaltado os efeitos dos impactos causados pelos conflitos organizacionais nos setores públicos e privados. Por isso, compliance, transparência e ética são temas que passam cada vez mais a fazer parte dos discursos da sociedade. Mais do que discurso, a prática destas variáveis entrou no radar e está sendo cada vez mais verificada pela sociedade.

Operações como a Lava Jato expuseram comportamentos irresponsáveis, criaram suspeitas e desconfianças na sociedade, geraram um desgaste emocional, romperam relacionamentos e afetaram de forma negativa empresas e governo.

Por isso, muitos comportamentos estão sendo atualizados nos últimos tempos e algumas experiências surgem para tentar trazer um norte de modelo a ser adotado. Na área da saúde, o governo de Minas Gerais criou um sistema para divulgar com transparência as relações de empresas do segmento com profissionais e governo, o Declara SUS.

A ferramenta foi criada para atender o que demanda a Lei 22.440/2016, originária do projeto do deputado estadual Antônio Jorge (PPS). A norma obriga as empresas a prestarem ao estado informações sobre doações ou benefícios destinados a profissionais de saúde de várias áreas, como inscrições em congressos, viagens, brindes, financiamentos de pesquisa, entre outras. Também estabelece que é dever do estado divulgar as informações em sites oficiais. “A transparência é o melhor artifício para recuperar a credibilidade dos órgãos públicos e privados”, pontua Polianna Santos, sócia do Instituto de Ensino Jurídico e Consultoria – IEJC, que atuou há até pouco tempo no governo mineiro auxiliando na implementação deste sistema. A regra, inédita no B ra sil, recebeu menção favorável do Instituto do Banco Mundial.

Segundo Polianna, um dos fatores que surpreendeu positivamente os criadores do sistema foi a adesão voluntária de diversas empresas para prestar estas informações. Neste primeiro momento, o projeto contempla apenas o armazenamento das informações. “O que será feito com estes dados é uma questão para resolução futura”, observa. “De toda forma, é interessante observar que empresas, profissionais e governo buscam uma forma de ser mais transparentes. E isto é algo que trará benefícios não só para toda a cadeia, mas para a sociedade em geral”, conclui.

A experiência mineira foi apresentada nesta quinta-feira no painel “Ética, Transparência e Compliance: conflitos de interesse e seus impactos na gestão da organização”, durante a realização do 6º Conahp (Congresso Nacional de Hospitais Privados), que acontece em São Paulo.