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Cereais como azevém, trigo, cevada, triticale, centeio e aveia, além de utilizados na alimentação humana, apresentam custos até 20% inferiores quando aplicados como ração animal em substituição ao milho e 'pastagem verde' durante o inverno, que é tradicionalmente um período de seca. Outras vantagens são: aumento de até 78% no rendimento do gado leiteiro e de até 2,3 quilos no de corte, e geração de renda adicional média de R$ 500 por hectare por meio do sistema de 'cultivo integrado' - que mescla lavoura e pasto.Dados da unidade Trigo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o manejo dos cereais de inverno apresenta custo entre 15% e 20% inferior ao do milho, tradicionalmente usado na ração animal. O custo de formação de pastagens pelo plantio direto convencional (aração, calagem, adubação, mão-de-obra, insumos) oscila entre R$ 600 a R$ 700 o hectare, já o plantio direto - com pastagem de matéria seca dos cereais chega a R$ 480 o hectare, mas o pecuarista deve ter máquinas apropriadas.ProdutividadeSegundo o pesquisador da Embrapa Trigo, Renato Fontenelle, uma vaca alimentada com aveia produz cerca de 78% a mais do que a média obtida com um animal que consome apenas milho. "Em média, uma vaca produz cerca de 9 litros por dia de leite; com a introdução da aveia para pastagem, essa produtividade salta para aproximadamente 16 litros por dia."Estudos em campo sobre a prática revelam ganhos de produção de até 2,3 quilos de peso vivo por hectare/ano. Animais em engorda chegam a ganhar mais de 1 quilo por dia.O ganho na produtividade, segundo Fontenelle, ocorre em função do maior valor proteico encontrado na aveia em relação ao milho. Os cereais de inverno possibilitam lotação média de até duas unidades animais adultas, ou seja, 450 quilos por animal em uma área de um hectare.Cultivo integradoNo caso da pecuária bovina, os cereais de inverno permitem o trabalho da agricultura integrada, principalmente no caso de pequenas propriedades.Cada hectare integrado - cultivado como pasto e lavoura - de cereal rende entre 2 e 3 toneladas dos grãos, o que gera uma renda adicional da ordem de R$ 500 por hectare. A esse valor, os criadores devem adicionar o ganho em relação ao aumento da produtividade leiteira dos animais alimentados com a aveia.Segundo o pesquisador da Embrapa, com a utilização das cereais - azevém e aveia - durante o inverno, o plantio do trigo pode ser antecipado em até um mês, pois o solo terá ficado protegido com a utilização na forma de pasto durante o período frio - maio, junho e julho.Atualmente, a utilização de cereais de inverno para pasto de forma integrada com lavouras é comum nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina em função do clima frio propício ao desenvolvimento desses produtos. Dessa forma, os produtores garantem uma ampliação da sua renda com uma outra cultura, e, ainda, protegem o solo durante o período seco.No inverno, as geadas que ocorrem na Região Sul do Brasil paralisam as pastagens tradicionais, como o capim-colonião e as branquiárias."Durante o inverno, o azevém e aveia preta são utilizados como pasto para os animais, e uma parte da área pode ser cultivada. Ao término da estação fria, os grãos poderão ser colhidos e utilizados tanto na alimentação humana quanto na animal", afirma Fontenelle.Segundo pesquisas realizadas pela unidade Trigo da Embrapa, além de bovinos de corte e leite, os cereais de inverno podem servir como fonte de forragem verde para a engorda de ovinos.