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O clima favorável nesta safra deve levar à produção de 512,9 mil toneladas de amendoim no Brasil, alta de 10% ante o ciclo anterior. Também contribui para o resultado o incremento de 7,8% na área cultivada, que chegou a 139,4 mil hectares neste ano.

O desempenho projetado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no começo deste mês é o segundo maior da história, atrás apenas da safra 1979/1980, quando a produção somou 524,6 mil toneladas.

No primeiro ciclo, que está em plena colheita, a produção deve crescer 14,3%, para 501,8 mil toneladas. A área cultivada também aumentou 12,5%, a 133,1 mil hectares.

O Estado de São Paulo é o principal produtor brasileiro de amendoim – responde por mais de 90% do total – e concentra sua produção no primeiro ciclo. A safra paulista estimada pela Conab é de 477,7 mil toneladas, incremento de 16,3% em relação ao período anterior. A área deve crescer 14%, para 125,7 mil hectares. Boa parte desse aumento se deve à produtividade, que pode chegar a 4 mil quilos por hectare, devido ao clima favorável e aos tratos culturais adequados. A segunda safra, porém, deve registrar queda de 42,7% em área e de 59% em volumes.

Um exemplo do estímulo à cultura vem da Cooperativa dos Plantadores de Cana da Zona de Guariba (Coplana), de São Paulo, que fornece para gigantes como a Nestlé, e é a maior produtora e exportadora do País. A cooperativa exporta entre 50% e 60% de tudo o que recebe. Neste ano, os 100 produtores que atuam em sistema similar ao de integração devem entregar aproximadamente 87 mil toneladas do grão, incremento de 15% a 16% em relação ao ciclo anterior. A área cultivada foi de 20% a 30% maior do que no ciclo anterior.

“Estamos caminhando para o final da safra e o clima foi muito favorável para a cultura, mesmo com o plantio tardio”, afirma a superintendente da Coplana, Mirela Gradim.

Exportação

Diante da oferta em alta, os preços do grão devem encontrar sustentação na demanda externa. A saca de 25 quilos em Jaboticabal (SP) está cotada em R$ 36,37, mas os preços vêm recuando com o avanço da colheita. “O mercado externo tem se consolidado ano a ano e a relação de preços vem melhorando, o que estimula a produção”, avalia a pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Renata Martins. “Com a entrada da produção da nova safra, a demanda externa acaba segurando os preços”, explica.

O principal mercado para o amendoim brasileiro é o holandês, seguido da Rússia e da Argélia. No ano passado, os embarques totais do produto local somaram 153,3 mil toneladas, totalizando US$ 194,8 milhões, recorde tanto em volume quanto em receita, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

O Brasil é o 14º maior produtor mundial, mas o quinto maior exportador.

Neste ano, os embarques já chegam a 46,6 mil toneladas, alta de 128,4% ante o primeiro trimestre do ano passado, quando foram exportadas 20,4 mil toneladas de amendoim, segundo dados do Ministério da Agricultura (Mapa). A receita alcançou US$ 51,7 milhões, alta de 94,3% sobre igual intervalo do ano passado, quando somou US$ 26,5 milhões. “A Argentina teve uma queda de produção, o que deve afetar também o amendoim, abrindo espaço para o produto brasileiro”, diz a pesquisadora.

O grão que fica no mercado interno vai para a indústria, que registrou um aumento de 5% a 7% do consumo de produtos a base de amendoim, como doces e snacks, e espera um incremento de até 12% nas vendas destes itens em 2018. “O consumo desses produtos foi um dos que menos sofreu com a crise nos últimos anos”, afirma o vice-presidente de amendoim da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Doces e Balas (Abicab), Renato Fechino. Para ele, o consumo deve ser estimulado pela Copa do Mundo da Rússia, que ocorre junto com as festas juninas, maior pico de demanda por amendoim no País.