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Dentro da filosofia adotada pela Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar) de industrializar todos os produtos primários que produz, chega essa semana à capital paulista o Purity, bebida a base de soja nos sabores pêssego, morango, laranja, uva, mação e original (também na versão light) que veio para disputar o concorrido mercado de sucos prontos.

Para abrir trilhas na selva desse setor, a Cocamar construiu uma fábrica de R$ 15 milhões em Maringá com capacidade para produzir 8 mil litros por hora, importou tecnologia de ponta da Malásia e decidiu-se pela embalagem TetraPark para o produto final. Ao todo, foi preciso dois anos de pesquisa para desenvolver o sabor e finalizar todas as pesquisas de viabilidade econômica e de inserção mercadológica. Foram gerados 56 empregos diretos.

Segundo dados da Associação Brasileira de Alimentos (Abia), o mercado de sucos prontos movimenta US$ 230 milhões por ano, produz 280 milhões de litros anuais e cresce 12% ao ano. A média de consumo per capita no Brasil é de 1,5 litro por habitante, pequeno se comparado aos Estados Unidos, de 8 litros, o que, para a associação, indica grande potencial de crescimento.

Além da campanha de degustação iniciada segunda-feira na rede Carrefour , a Cocamar assinou contratos de fornecimento com a Wal-Mart , Sonda e Big . "No verão, começamos a campanha na mídia", diz o diretor de marketing da empresa, Heitor Trevisan.

A Cocamar terá de enfrentar pesos pesados. A Unilever possui o Ades, que domina 80% do mercado. Também multinacionais, a Bunge detém a marca All Day e a mexicana Del Valle acaba de jogar no mercado seus dois novos sucos à base de soja, fato que parece não assustar os paranaenses. "Já temos 12,5% de market share no interior de São Paulo, que foi por onde começamos a venda. É muito difícil entrar com um produto novo, mas temos certeza de que o nosso é competitivo", afirma o diretor, citando dados do instituto de pesquisa Nielsen .

Segundo Trevisan, o Purity tem a vantagem de ser produzido por um parque industrial moderno e de a Cocamar dominar todo o processo de produção, desde o plantio da soja (usam um grão específico para fabricação de sucos) até o processamento. A cooperativa tem 6,5 mil associados, entre produtores de milho, algodão e bicho-da-seda. No caso do pêssego, a polpa é importada da Argentina.

O Purity já nasceu sendo exportado para a Argentina, Chile e Malásia. Com isso, a Cocamar espera ultrapassar esse ano a marca de R$ 1,3 bilhão em faturamento, 30% de aumento em relação ao ano passado, quando as 15 fábricas espalhadas no norte do Paraná geraram R$ 1 bilhão. A área de sucos responderá por R$ 70 milhões do montante (5,38%). Com relação aos sucos, o objetivo é atingir 15% de participação no mercado nacional em 2005.

Segundo o diretor, o crescimento da empresa está calcado na produção de uma maior quantidade de produtos elaborados, que agregam valor. "Hoje, temos 87% de industrialização. Apenas para o trigo não temos produto ainda", conta. A Cocamar vende para o consumidor café torrado e moído, maionese, molhos, óleo de soja e álcool para uso doméstico. Todos trazem a marca da cooperativa.

O Purity chega às gôndolas a R$ 2,70, ou 10% mais barato que o principal concorrente, para conseguir abrir espaço na preferência do consumidor. Além do produto à base de soja, a Cooperativa também comercializará do tipo néctar.

Bebida já tem 12,5% do mercado no interior de São Paulo; a empresa, agora, investe na capital paulista