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O novo regime de tributação de exportações na Argentina deve afetar a competitividade de cereais na safra 2018/2019, além de reforçar a tendência de queda da área de soja, afirma análise da consultoria INTL FCStone no país vizinho.

O plano de retenções do país – que deve permanecer até 2020 – prevê o pagamento de 3 a 4 pesos argentinos para cada dólar exportado.

No caso da soja, o maior impacto deve ser sentido a longo prazo, uma vez que a taxação sobre o complexo da oleaginosa não necessariamente possui uma trajetória de queda, embora possam ser reduzidas caso o peso continue perdendo valor. “É possível que a nova taxação continue incentivando a redução da área plantada de soja”, avalia o analista da INTL FCStone, João Macedo, em nota. “A maior taxa sobre a soja deve manter os produtores mais interessados pelo cultivo de cereais, que apesar de perderem competitividade, ainda possuem uma tributação menor”, explica.

Segundo estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), entre as safras 2015/16 e 2017/18 a oleaginosa perdeu 2,1 milhões de hectares na Argentina, queda de 10,4%.

A área de milho, ao contrário da soja, foi beneficiada no início do governo Mauricio Macri. Segundo a BCBA, entre 2015/16 e 2017/18, a área plantada saiu de 3,9 milhões de hectares e atingiu 5,4 milhões de hectares, alta de 40%.

O fim da taxação sobre as exportações tornou a Argentina mais competitiva no mercado global, incentivando aumentos de exportação. Com o retorno da taxa, o país pode perder mercados diante da expectativa de safras fartas em players globais do setor, como Estados Unidos.

Trigo

O trigo, por sua vez, foi uma das culturas mais beneficiadas pelo fim das “retenciones” no início do governo Macri. Entre 2015/16 e 2017/18, a área do cereal cresceu 58%, chegando a 5,7 milhões de hectares na última safra. Antes da taxação, aproximadamente 80% de todo o cereal era destinado ao mercado brasileiro.

A retomada da taxa de exportação sobre o trigo pode retirar a Argentina do mercado global. Segundo ele, o plantio do ciclo 2018/19 foi finalizado esse mês e houve um novo aumento de 7% sobre a área plantada, que chegou a 6,1 milhões de hectares. “Caso a Argentina tenha uma grande colheita, os produtores terão que receber preços menores para compensar a taxa e conseguirem escoar a safra para fora do Mercosul”, pondera Macedo.