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O desembarque das rosas colombianas no País entre 95 e 96 passou de ameaça a uma fonte de inspiração para a diversificação da produção nacional da flor que hoje resulta em maior receita para os produtores brasileiros.

A concorrência levou os produtores a investir em tecnologia e em novas variedades. E assim, a rosa colombiana passou a ser produzida em terras nacionais.

A rosa da Colômbia precisa ser plantada em estufa, enquanto a nacional é produzida a céu aberto. Isso faz com que o custo seja 80% superior à nacional. Porém, o preço de venda ainda é 20% superior ao de custo. Enquanto uma dúzia de rosas "comuns" é vendida pelo produtor a R$ 15, as colombianas saem por R$ 30.

Segundo os produtores, o interesse pelo plantio é grande, uma vez que o segmento cresce 15% ao ano enquanto que o das rosas comuns está estável.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor ), a produção de rosas no Brasil fica entre 16 a 20 milhões de dúzias, sendo que destas, 15% é da variedade colombiana, tanto importada quanto produzida no País. Esse mercado movimenta cerca de R$ 60 milhões/ano, levando-se em conta apenas o ganho do produtor. O mercado total de flores movimenta cerca de R$ 1,1 bilhão.

Segundo o produtor de rosas de Andradas e Holambra, Benny Van Rooyen, a "invasão" das rosas, vindas da Colômbia, se deu em 1996, quando houve a paridade do dólar com o Real, facilitando as importações. Como o mercado interno estava desabastecido, a entrada da flor colombiana encontrou um mercado certo. As rosas colombianas são maiores do que as nacionais, uma vez que se desenvolvem em clima frio, demoram 75 dias para alcançar o ponto de corte. Já as nacionais são colhidas com 60 dias e acabam produzindo pétalas menores. A diferença visual conquistou os brasileiros.

"Foi um alerta muito bom para o produtor, que percebeu um nicho de mercado que ainda não existia no País. Agora, já competimos diretamente com o produto importado, uma vez que o dólar voltou a subir. Já exportamos, mas em pequena quantidade."

A rosa colombiana já é explorada em Andradas (SP), Munhoz (MG), Araxá (MG) e nos Estados do Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná. "Cerca de 80% da produção de rosas do Brasil é de Holambra (SP). Eu tenho uma produção de 800 mil rosas nacionais e mais 200 mil colombianas."