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A perspectiva de uma safra cheia e a incerteza sobre o valor do transporte de grãos deve fazer com que a demanda por silo bolsa cresça entre 20% e 30% na temporada 2018/2019, estima o diretor da Ipesa do Brasil, Demian Baum.

A companhia argentina responde por 60% do mercado brasileiro de silo bolsa e, na safra 2017/2018, encerrada em junho, negociou 50 mil unidades no período, capazes de armazenar em torno de 10 milhões de toneladas de grãos e de silagem.

“Na safra passada, as vendas empataram com o ciclo anterior já que o desempenho da safrinha de milho foi menor do que o esperado”, afirma. “Nesta temporada, porém, as vendas devem crescer se as projeções de aumento da produção de grãos se confirmarem”, avalia.

Na avaliação de Baum, a incerteza gerada pelo tabelamento do frete pode estimular a rentenção dos grãos nas propriedades até que ocorra uma definição quanto ao valor a ser cobrado pelo transporte. “É uma razão a mais para armazenar produtos localmente”, constata.

Por outro lado, a valorização das commodities a partir da alta do dólar frente ao real pode estimular as vendas de grãos. “Para o nosso negócio, esse movimento de venda maior com o aumento de preços não é interessante, mas acredito que ainda estamos na etapa do aumento do uso da tecnologia no Brasil.”

De acordo com o gerente de serviços gestão e marketing da Bayer CropScience, João Paulo Fernandes, a demanda pelo produto deve crescer entre 10% e 20% nos resgates por meio do Programa de Pontos da Rede AgroServices da multinacional no ano de 2018. No ano anterior, o incremento foi de 18%. O produtor acumula pontos ao adquirir insumos da companhia e pode trocá-los por outros produtos ou serviços.

Desde que o silo bolsa foi incluído entre as opções de troca, em 2016, 4,2 mil unidades foram resgatadas.

Os produtos são ofertados em parceria com a empresa Pacifil e custam, em média 53 mil pontos. “É uma opção de menor custo em relação ao armazém – já que o produtor não precisa fazer o desembolso – e que proporciona uma melhor comercialização”, diz.

Segundo ele, a região com maior demanda é a dos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia (Mapitoba), onde as propriedades são mais novas e têm menos estrutura.

O diretor da Ipesa relata demanda crescente na safra 2017/2018 na Bahia, após dois anos de pouca procura pelo produto, e também no estado do Rio Grande do Sul.

Intermediário

Na avaliação do vice-presidente Norte da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Zilto Donadello, a procura por estruturas de armazenagem têm crescido entre os produtores, tanto de silos do tipo bag quanto de estruturas fixas.

“Com o armazenamento próprio, o produtor não tem o transtorno de pagar o frete mais alto durante a safra e tem melhores alternativas de negociação dos grãos”, argumenta. Com o silo bag é possível manter a qualidade do grão por pelo menos seis meses e a estrutura tem que ser adquirida a cada safra.

O vice-presidente da Aprosoja/MT também avalia que a opção é uma alternativa para quem quer investir em estruturas permanentes (de alvenaria ou metal), mas ainda aguarda aprovação do crédito para o investimento. “Os produtores começam com o bag, percebem que é bom negócio e depois partem para a construção de uma estrutura fixa.”

Um exemplo é a produtora Rosana Galbieri Leal, da Fazenda Santa Fé, de Primavera do Leste (MT). Na safra 2017/2018 ela adquiriu 12 silos bolsa, a um valor médio de R$ 1,6 mil cada, para armazenar a safra de milho e manteve a produção guardada por seis meses antes de negociar o grão. A saca de 60 quilos estava cotada a R$ 14 no momento da colheita e foi vendida a R$ 19.

“Esse ano só não usei os silos bolsa porque consegui o crédito necessário para ampliar minha estrutura fixa de 50 mil sacas para 200 mil sacas”, explica a produtora, que investiu R$ 5 milhões na ampliação das instalações.