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Depois da agricultura de precisão, o conceito de indústria 4.0 ganha espaço desde a preparação das lavouras até o embarque de produtos para facilitar a tomada de decisões e elevar ganhos no agronegócio.De sistemas para monitorar cargas a robôs que calculam o imposto de renda, as alternativas não param de surgir.

Se na agricultura de precisão sensores e drones permitem a captação de dados que permitem uma atuação mais “precisa”, a agricultura 4.0 representa o passo seguinte, marcado pela automação, a integração de dados, a conectividade e o conteúdo digital. “O desafio é integrar esses dados de forma que eles sejam úteis para o produtor”, acrescenta a pesquisadora Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária.

A Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do País, por exemplo, investiu R$ 800 mil em um sistema que permite o acompanhamento detalhado desde a chegada da carga no Porto até ao embarque no navio, no Terminal Açucareiro Copersucar (TAC), no Porto de Santos, com todas as informações disponíveis em apenas uma tela ao operador.

A unidade embarca em média 600 mil toneladas por mês, ou até 14 navios por mês. Na Safra 2017/2018, a Copersucar registrou lucro líquido de R$ 147,2 milhões.

O novo sistema deve estar plenamente em funcionamento nos próximos 60 dias e a migração deve começar nesta semana. “Já tínhamos um sistema de supervisão, que é o padrão para o segmento, mas não uma integração dessas informações com o sistema de gestão”, afirma o gerente de manutenção e engenharia da Copersucar, Marcelo Latrova. “Desta forma, todos vão saber o que acontece em cada etapa do processo e será possível medir o desempenho dos equipamentos”, diz. Assim, se algo não está acontecendo da forma que deveria os ajustes necessários podem ser feitos, eliminando possíveis erros.

Com três armazéns, dois dedicados a açúcar e um para soja e milho, a Copersucar tem o desafio de receber cargas 24 horas por dia, sete dias por semana e embarcá-las com a maior agilidade possível. “O fluxo precisa se manter constante entre a entrada de produto nos armazéns, mantendo sempre um deles cheio, e o embarque dos navios. Quanto mais nosso berço está livre, mais navios entram para embarcar”, explica.

Conforme o diretor técnico da Aquarius Software – que forneceu o sistema a Copersucar–, Ricardo Caruso Vieira, com o controle mais preciso das causas de paradas – chuva, defeitos em máquinas, carregamento – é possível reduzir o número de atrasos nos embarques, por exemplo. “O ganho de eficiência costuma ser de 15% a 20%”, estima.

Contabilidade

A automação também é a ferramenta escolhida pela Essent Agro para solucionar uma questão que aflige os produtores: imposto de renda. A startup criou um robô que importa todas as notas fiscais eletrônicas emitidas sob um CPF, e faz uma prévia mês a mês do cálculo do IRPF a ser pago do ano seguinte. Desta forma, o produtor não precisa reunir notas ao longo do ano para entregar ao contador e já sabe com antecedência o valor estimado do imposto a ser pago. “Assim, é possível buscar alternativas dentro da lei para que o agricultor pague menos imposto”, afirma o CEO Giandrei Basso.

Criada em Tucunduva, no norte do Rio Grande do Sul, a startup tem em torno de 150 clientes e pretende agregar outros 1 mil produtores no primeiro ano de atividades. Nos últimos 12 meses, 80 produtores gaúchos testaram a ferramenta, que agora está disponível a interessados.

O investimento para a criação da startup foi de R$ 500 mil. “Começamos com um serviço de contabilidade para partidos políticos e percebemos que havia interesse do produtor em pagar por esse tipo de serviço”, conta Basso.

Segundo ele, a startup firmou parceria com a Bayer para que o serviço seja oferecido por meio do sistema de pontos da multinacional e busca outros parceiros nesse sentido.