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O fenômeno El Niño deve trazer mais chuvas para o Sul e menos precipitações para a região do Mapitoba (que reúne Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) na safra 2018/2019.

De acordo com o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Paulo Sentelhas, a probabilidade de que o El Niño se estabeleça no próximo semestre é de 70% a 80%.

“Saímos de um La niña, passamos para uma condição neutra e avançamos para a próxima safra a uma condição de El niño”, afirma. O fenômeno ocorre devido ao aquecimento das águas do oceano Pacífico.

Segundo ele, a tendência é que o fenômeno não seja tão forte quanto o registrado em 2015/2016, um dos mais intensos já registrados e que trouxe prejuízos para a agricultura brasileira. “Mas isso é extremamente variável e o grau de incerteza ainda é grande”, salienta o docente.

Sentelhas explica que, mesmo que as perspectivas se confirmem, as consequências para as lavouras são muito variáveis. “A tendência para o Rio Grande do Sul, por exemplo, é de maior volume de chuvas, mas isso nem sempre implica em maior produtividade no campo, pois esse resultado também depende da distribuição das chuvas”, diz o professor. “Além disso, se tivermos muitos dias nublados, isso impacta a produtividade potencial e traz o desempenho das lavouras para baixo.”

Para o Centro do País, ele afirma que ainda não há um sinal claro de qual será o impacto na agricultura. “Já tivemos ocorrências de El niño, como na safra 2009/2010, em que sobrou cana-de-açúcar no campo porque não se conseguia entrar para colher [devido ao volume elevado de chuvas] e já tivemos anos em que as chuvas foram abaixo do normal. Essa faixa que pega o norte do Paraná e o sul de Goiás é uma zona de transição”, pondera.

Ele estima que para Mato Grosso, norte de Goiás, Tocantins, Norte e Nordeste como um todo, a tendência é de que ocorram chuvas abaixo do normal. “Mas ainda há possibilidade de isso não se estabelecer”, complementa.

Sentelhas não descarta, porém, a possibilidade de a situação se inverter e que ocorra o fenômeno La Niña. “A probabilidade é baixa, mas pode acontecer”, assinala.