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Principal destino dos embarques brasileiros de carne bovina em 2018, a China deve ampliar as compras no próximo ano e levar o País a bater o recorde de exportação em volumes e em receita, projetou ontem a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Em volumes, a associação estima crescimento de 10,7% em 2019, para 1,8 milhão de toneladas e de 11% em receita, para US$ 7,2 bilhões. A Abiec estima que as exportações encerrem este ano com um volume recorde de 1,6 milhão de toneladas, alta de 10% em relação a 2017, e alta de 7,4% em receita para US$ 6,5 bilhões na mesma base de comparação. No ano passado, foram 1,4 milhão de toneladas e US$ 6 bilhões.

O país asiático já teve uma participação significativa no crescimento projetado pela associação para este ano, respondendo por 44% dos embarques, considerando também as exportações que têm Hong Kong como destino. Os embarques para o país asiático devem somar US$ 1,5 bilhão com a venda de 320 mil toneladas neste ano.

Conforme o presidente da entidade, Antônio Camardelli, a perspectiva é que, em 2019, o faturamento com embarques aos chineses chegue a US$ 1,8 bilhão, 20% a mais que neste ano, com a venda de 431 mil toneladas, elevação de 34,6%.

A China vem se tornando progressivamente o mais importante destino das exportações brasileiras de carne bovina desde 2015. O Brasil tem hoje 16 plantas habilitadas para exportar para o país.

“Se conseguirmos de imediato a habilitação de outras dez plantas teremos uma oferta muito maior de matéria prima para um mercado consumidor [de crescimento] gradativo”, disse Camardelli.

Uma visita a seis empresas de companhias diferentes foi realizada há duas semanas por representantes do governo chinês para avaliar a possibilidade de ampliar o número de unidades de abate habilitadas. “Acredito que o resultado da missão virá até o final deste ano, mas a ampliação do numero de plantas deve ocorrer no primeiro bimestre de 2019”, projetou Camardelli.

A projeção de crescimento também leva em conta a retomada dos embarques para a Rússia, que reabriu o mercado para cinco unidades brasileiras em novembro após onze meses de embargo.

“Acreditamos que essas cinco plantas voltem a exportar normalmente a partir de 15 de janeiro uma média de 6 mil toneladas por mês”, projetou. O número de unidades autorizadas é inferior às mais de 20 plantas que estavam habilitadas antes do embargo.

Camardelli ainda se mostrou otimista em relação à retomada dos embarques de carne in natura para os Estados Unidos. “A expectativa é que esse mercado venha a abrir na sequência do ano que vem.”

Japão

O executivo ainda destacou que o Brasil deve buscar o reconhecimento da equivalência de status sanitário com o Uruguai para ter acesso ao mercado japonês, que demanda 719 mil toneladas anuais a US$ 5,9 mil por tonelada. “A expectativa que se tinha até a semana passada era de abertura de um contencioso na Organização Mundial do Comércio. Como o Japão abriu o mercado para o Uruguai, o país não pode tratar os uruguaios diferente.”

Ele ainda manifestou preocupação com as notícias sobre a intenção de mudança de embaixada brasileira em Israel, já que o países da liga árabe representam 25% das exportações brasileiras.