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A receita com as exportações brasileiras de leite condensado acumuladas até agosto estão 115,8% acima do mesmo período do ano passado. O valor chegou a US$ 39,5 milhões, ante US$ 18,3 milhões registrados de janeiro a agosto de 2005. O volume também subiu, 78%, na mesma comparação, atingindo este ano 32,4 mil toneladas.

Por trás dos números estão a demanda de países africanos, latinos e árabes e os investimentos da indústria brasileira no aumento da capacidade de produção. Segundo uma pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o número de fabricantes de leite condensado no País saltou de quatro, em 2001, para dez hoje. No entanto, as quatro maiores marcas detêm 88% do mercado.

A mineira Itambé investiu R$ 100 milhões em uma fábrica de leite condensado em Goiânia (GO), inaugurada em dezembro de 2005, e está expandindo as exportações. "América Latina e África são responsáveis por mais da metade das vendas desses dois produtos e demandam cada vez mais", afirma Jacques Gontijo, vice-presidente comercial da Itambé. Comparando com o ano passado, as vendas do leite condensado da Itambé cresceram 30% em 2006.

Somada a uma nova planta de produção de leite em pó, as unidades permitem uma capacidade de produção de 4,5 milhões de litros leite ao dia, cerca de 50% a mais do que antes. "A tendência em três anos é chegar a 10 milhões de litros ao dia, já que estamos trabalhando com apenas 40% da capacidade total dessas unidades", diz o executivo.

Antevendo a desvalorização do dólar, a Parmalat, que responde por 25% das exportações de leite condensado no Brasil, reforçou seu investimento em produtos com valor agregado para equilibrar suas exportações. "Investimos em desenvolvimento de produto para adequá-lo ao mercado de destino, fizemos adaptações na linha de produção e mais prospecção de mercado", conta o gerente executivo de exportações, Luiz Álvaro.

Outra empresa que deve entrar no segmento de leite condensado é a Cooperativa Castrolanda, localizada em Castro (PR). A empresa decidiu em assembléia realizar um investimento de R$ 17 milhões para instalação de uma unidade própria para fabricação de leite condensado e creme de leite, que deve ficar pronta em 2007. A fase de planejamento também irá definir a marca dos produtos, que pode sair com a marca Batavo. A Castrolanda é uma das acionistas da Batávia, ao lado da Perdigão.

Excedente de produção

Segundo o analista do mercado de leite do Cepea, Leandro Ponchio, o cenário do mercado de leite condensado é positivo tanto no mercado interno quanto no externo, devido à melhoria de renda dos países em desenvolvimento. "Além disso, o produto brasileiro é muito competitivo e não sofre concorrência de outros grandes exportadores de lácteos, como a Nova Zelândia, que não trabalham com leite condensado", pontua ele.

A competitividade do leite condensado brasileiro reside na abundância na oferta de leite, de açúcar e de folha-de-flandres, o aço utilizado na fabricação das latas. "O ritmo de crescimento na produção de leite no Brasil só perde para a Argentina e a China, o que força as empresas a buscar novos mercados para sobreviver, mesmo que com margem reduzida pelo câmbio desfavorável", analisa Ponchio. No Brasil, as exportações de leite UHT (in natura) foram de apenas US$ 16,2 mil de janeiro a agosto de 2006, o que mostra a importância de produtos não-perecíveis para acessar o mercado externo.

Rio Grande do Sul

Os produtores gaúchos são os que mais estão aumentando a produção de leite no País. "O estado deve ampliar a produção em 10% neste ano, sobre os 7 milhões de litros de 2005", afirma o secretário executivo do Sindicato dos Laticínios, Jones Raguzone. Segundo o Cepea, a média nacional de crescimento é de 2,79%. Três grandes laticínios estão em construção no Rio Grande do Sul: um da Nestlé em Palmeira das Missões, um da Cooperativa Central Gaúcha de Leite (CCGL), em Cruz Alta, e um da Embaré, na cidade de Sarandi.