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O setor de beneficiamento de arroz no País está passando por um processo de consolidação. O Grupo Arfei concluiu esta semana o antigo plano de deter todo o capital acionário da Camil Alimentos . Já a Pirahy, fabricante do arroz Prato Fino, vai investir até R$ 10 milhões para ampliar a sua produção. "Hoje há cerca de 180 empresas no setor de beneficiamento, mas eram mais de 500 há dez anos", afirma o presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Valter Pötter.

Até a última segunda-feira, a Arfei era dona de 50% da Camil e o fundo de private equity Trust Company of the West (TCW) detinha os outros 50% . Com a liberação de um empréstimo coligado de R$ 95 milhões, a Arfei comprou as ações do TCW por R$ 63 milhões e alongou dívidas de curto prazo com o restante.

A Camil aposta na tendência de consolidação do setor e quer ser líder nesse processo. Desde 1998, com a entrada do TCW, a empresa adquiriu duas unidades de arroz, em Pernambuco e no Rio Grande do Sul, e ainda comprou 18% do capital da maior concorrente, a Josapar, fabricante do arroz Tio João. "O foco no Brasil permanece porque o mercado é fragmentado e tem oportunidades de consolidação", diz o diretor financeiro Luciano Quartiero.

A pulverização a que o executivo se refere é medida pela fatia que a líder Camil tem do mercado nacional: apenas 6%, de acordo com Quartiero. Mas o executivo afirma que a empresa quer atingir em todo o País a participação de mais de 30% que detém no mercado paulista. "São Paulo é exemplo de um mercado maduro e mostra o quanto podemos crescer: os cinco maiores fabricantes dominam 80% do mercado no estado, mas não chegam a 20% no mercado brasileiro", constata.

O caminho para crescer deve incluir a aquisição de outras empresas e o fortalecimento da própria marca Camil. "Temos 25% de capacidade ociosa, o que garante uma margem de crescimento para os próximos dois anos", afirma Quartiero. Nos cinco primeiros meses deste ano, o volume de vendas da Camil foi 5% superior ao mesmo período de 2005. A receita também cresceu, mas não acompanhou o crescimento das vendas devido à queda nos preços da matéria-prima.

Pirahy investe

Apesar da situação conjuntural de queda nos preços do arroz, a Pirahy Alimentos, grande beneficiadora e dona da marca Prato Fino, investirá entre R$ 7 e R$ 10 milhões para ampliar a produção em sua fábrica, localizada em São Borja (RS). "A empresa está se preparando para a retomada de crescimento do mercado", adianta o diretor executivo Renan Toriazzo.

Há 30 anos no mercado, a Pirahy registrou crescimento de 15% na produção, no ano passado. Foram 194 mil toneladas de arroz, contra 168 mil toneladas em 2005. No entanto, a comparação de faturamento mostra uma queda de R$ 280 milhões em 2004 para R$ 276 milhões no ano passado, o que não intimida a empresa. "Estamos enfocando a atuação em melhorias tecnológicas e de processo, além de redução de custos e qualidade do produto", conta o diretor, destacando o lançamento do arroz parboilizado que a Pirahy fez este ano.

Na avaliação de Pötter, da Federarroz, a concentração do setor de industrialização é boa por aumentar a eficiência da produção, mas "fragiliza" os produtores de arroz nas negociações. "De janeiro a abril, o preço do arroz caiu 5,6% ao consumidor, mas para o produtor caiu 20%", compara.