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SÃO PAULO

De olho no mercado de soluções "verdes" para a agricultura, a Microgeo, produtora de adubos biológicos em Limeira (SP), está de mudança para uma nova planta na mesma cidade, com mais que o dobro de capacidade de fabricação. O produto, patenteado pela empresa paulista, é utilizado para corrigir a perda de fertilização do solo e reduz custos de produção com fertilizantes químicos e até com agrotóxicos.

A nova fábrica da Microgeo é fruto de um investimento de R$ 3 milhões e deve garantir que a companhia aumente a oferta de seus adubos para o crescente mercado do agronegócio nacional e internacional, afirmou ao DCI o diretor comercial da companhia, Leandro Suppia.

"A agricultura passou por uma evolução na parte física, com as máquinas e implementos. Na parte química, com os agroquímicos. Agora também passa por uma evolução na parte biológica, com os protetores biológicos", afirma o executivo.

A Microgeo começou a desenvolver os adubos biológicos ainda em 1994 e conseguiu uma patente em 2000, mas só passou a vender o produto em escala comercial a partir de 2006. A ideia era fornecer um composto de microorganismos que pudesse ser misturado e fermentado para ser aplicado no campo. O objetivo era reestruturar o solo que sofre com perdas de nutrientes por causa da compactação, seja em função do uso intensivo de máquinas como pelo plantio direto.

Parece que a aposta deu certo: desde 2006, a empresa tem conseguido dobrar suas vendas e seu faturamento a cada ano, e decidiu ampliar sua capacidade de produção para manter o crescimento no mesmo ritmo.

Em sua planta atual, a companhia processa cerca de 4 mil toneladas ao ano e, na nova fábrica, a Microgeo poderá produzir até 10 mil toneladas por ano. A migração deverá ser feita no segundo semestre do ano, "após a Copa", afirma Suppia.

Com apenas 60 funcionários diretos e pouco mais de 100 terceirizados, a empresa conseguiu faturar R$ 30 milhões e deve alcançar uma receita de cerca de R$ 45 milhões neste ano, segundo estima o diretor comercial.

Como não poderia deixar de ser, os produtores de cereais como soja, milho e trigo são seus maiores clientes, representando cerca de 60% das vendas da companhia. Mas culturas como cana-de-açúcar e café também são grandes clientes, já que o adubo biológico é voltado para corrigir os problemas de solo causados pela monocultura, diz Suppia. "O problema [da baixa fertilidade] é a monocultura, que aumenta a compactação e reduz o aproveitamento do solo", explica.

Apesar da importância das grandes culturas, ele diz que a produção de orgânicos também é um cliente potencial, já que os agricultores deste ramo tentam fugir de soluções químicas em seus tratos culturais para conseguir cumprir com as exigências dos consumidores e conseguir certificação. "Estamos em cultivos desde pequenas estufas até áreas de 100 hectares", diz.

Para alcançar os clientes, a Microgeo trabalha com cooperativas e revendedores em todas as regiões, com exceção dos estados do norte, e realiza treinamento para que agentes de campo ensinem os produtores a aplicarem a dosagem ideal do produto.

Segundo Suppia, recomenda-se que cada agricultor use até 7,5 quilos para cada hectare no ano. Cada quilograma do adubo, quando misturado e fermentado, pode gerar até 40 litros de composto. Desta forma, cada produtor aplica entre 150 litros e 300 litros do composto ao ano em cada hectare de terra, conforme a lavoura que está sendo cultivada.

Após 20 anos de plantio direto, Linori Cella, em Cascavel (PR), viu seus custos aumentarem por causa da compactação do solo. Para corrigir o solo, Cella começou a usar o adubo biológico da Microgeo, que lhe rende um custo de aproximadamente R$ 480 por hectare ao ano. "Porém, se colocar na ponta do lápis, eu economizo em outros produtos", diz.

A única dificuldade que impede um crescimento ainda maior da empresa no País é o trabalho de acompanhamento dos resultados, diz Suppia. "Como é um produto muito técnico, temos que fazer um bom pós-venda."

Mercado externo

Além do mercado nacional, o adubo biológico já é usado também em lavouras de produtores rurais de Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia. Mas neste ano a empresa pretende dar alguns passos para tentar entrar em 2015 no maior mercado de agronegócio do mundo, os Estados Unidos. "Estamos fazendo pesquisas e testes e buscando um parceiro para distribuir o produto internamente", conta o executivo.

A entrada no mercado norte-americano deve ocorrer em partes, já que depende da conformidade com a legislação de cada estado. Garantidas as exigências legais, a expectativa é que os produtores de grãos e frutas do país sejam os maiores demandantes da adubação biológica.

O otimismo é tanto que a empresa já faz planos para uma nova planta, ainda maior, em 2018, diz Suppia. Mas, segundo ele, por enquanto são apenas planos.