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São Paulo - A oferta de hortaliças e frutas nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) teve alta, respectivamente, 6% e 14% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O incremento levou à queda dos preços.

Foram analisados os preços das centrais de abastecimento (Ceasa) de oito estados brasileiros (SP, MG, RJ, ES, PR, GO, PE, CE) e do Distrito Federal, conforme o Boletim Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado ontem (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No caso das hortaliças, a oferta total foi de 2,3 milhões nos primeiros seis meses do ano. As frutas colocadas à venda somaram 2,4 milhões de toneladas.

"O resultado desse incremento é que, para a maioria dos produtos, foi registrada queda nos preços", reforça o gerente de Modernização do Mercado Hortigranjeiro da Conab, Erick Farias.

Ele cita como exemplo o preço do tomate, que registrou queda de 15,3% no Paraná, para R$ 1,93 o quilo em junho em relação ao mês imediatamente anterior, e de 38,5%, para R$ 1,65 o quilo, em Goiás na mesma base de comparação. O preço caiu em todas as ceasas pesquisadas. "Isso é resultado da soma de uma oferta maior com demanda [interna] retraída", observa.

Segundo o técnico, outro exemplo é a batata que teve aumento da oferta, típico da safra: o recuo mais expressivo foi de 23,99% no Rio de Janeiro, para R$ 1,19 o quilo.

A cenoura também registrou diminuição de preços em todas as Ceasas pesquisadas em junho pela Conab. A maior retração ocorreu em Minas Gerais, onde o preço do quilo caiu 25,01%, para R$ 0,81.

Entre as frutas que registraram redução nos preços, entre janeiro e junho sobre o mesmo semestre de 2016, destacam-se a banana, a laranja e a maçã.

No caso da banana, a produção vem se recuperando depois de um ano fraco. Já a laranja, a safra 2017/18, que entrou no mercado em meados do primeiro semestre, apresentou alta na oferta em relação ao ciclo passado e regularizou o abastecimento do produto. A oferta de maçã está apoiada nos estoques da variedade fuji, no Sul do País.

O executivo da Conab acredita que os preços ficarão estáveis no segundo semestre deste ano. "Nos primeiros meses do ano as frutas e hortaliças são mais susceptíveis a alterações de preços", destaca.

Clima

Ele explica que a preocupação, agora, é o frio, mas apenas para os produtores do Sul. No Paraná, por exemplo, a alface registrou aumento de preço de 92,9% em junho ante ao mês de maio, para R$ 2,35 o quilo, devido a perdas causadas pelas baixas temperaturas e geadas verificadas no Estado.

O relatório da Conab mostra que o alface foi o único item a registrar alta em cinco dos nove mercados pesquisados. "Para as folhosas, a geada preocupa, pois queima as folhas e o produto disponível para a venda terá preço mais caro", observa Farias.

Além das folhosas, o frio afeta outras culturas, como o tomate. No começo de julho, as baixas temperaturas causaram a demora na maturação do fruto e reduziram a oferta do produto nas Ceasas. Com isso, os preços começam a se recuperar, relata.

"No geral, acreditamos que o clima não deve afetar os preços já que a produção de frutas e hortaliças não está concentrada no Sul do País", salienta o gerente da Conab.