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Boa parte dos fabricantes de espetinhos de carnes para churrasco - setor que movimenta mais de R$ 10 milhões ao ano no Estado de São Paulo - está inovando o mix de produtos para tentar driblar a crise que afeta o segmento.O aumento da concorrência, com as chamadas empresas "fundo de quintal", e a queda no consumo contribuíram para uma redução de 50% na produção paulista de espetinhos vendidos prontos no mercado formal.Atualmente, a produção de espetinhos de carne - bovina, lingüiça, frango, coração e lombo - é de aproximadamente 10 mil toneladas por ano, ante as 20 mil produzidas há um ano, segundo o sócio-proprietário da Espetinhos Jundiaí , Alfredo Paoletti."Além disso, muitos fabricantes de espetinhos fecharam ou mudaram de ramo."Frigorífico São MiguelO Frigorífico São Miguel , localizado em Ermelino Matarazo, na zona Norte de São Paulo, está voltando às raízes.Após nove anos de fundação, há 33 anos, a empresa deixou de fabricar embutidos e processados de carne - lingüiças, mortadelas e presuntos - para se dedicar exclusivamente à produção de espetinhos para churrasco.Em função da grande concorrência que reduziu as vendas, o proprietário do frigorífico, Marcelo Magalhães, acaba de lançar a lingüiça de rolete.Trata-se de uma versão cozida do alimento, produzido sem a tradicional tripa de porco - que envolve o produto -, vendida a granel ao invés de no espeto.Magalhães estima elevar as vendas e manter o faturamento com a venda do novo produto para restaurantes e buffets."O consumo das classes B e C caiu muito, preciso inovar para manter os resultados."A produção inicial da lingüiça de rolete está em torno de 1 tonelada por semana.Até o fim do ano, o empresário estima chegar a uma produção da ordem de 10 toneladas/dia.Para tanto, Marcelo Magalhães investiu nos últimos dois anos cerca de R$ 150 mil para adequar a produção e comprar um equipamento para a fabricação da lingüiça sem tripa.Enquanto os negócios com a lingüiça não decolam, Magalhães garante o faturamento do frigorífico com a comercialização de mais de 15 mil toneladas por semana de espetinhos de carne, lingüiça, frango, lombo e coração. Todos os produtos são embalados a vácuo.O empresário também está atuando no ramo de buffets, promovendo churrascos em festas. Hoje Marcelo Magalhães ganha dinheiro oferecendo serviços e produtos agregados ao churrasquinho, que representam 70% do seu faturamento.A equipe do empresário prepara e serve as bebidas e os espetinhos. Nos meses de maior movimento, dezembro e junho, ele chega a contratar 300 funcionários temporários só para cuidar das festas.Para 100 convidados, a empresa cobra R$ 13,90 por pessoa. A margem de lucro nesse serviço é de 30%.Espetinhos JundiaíAssim como o Frigorífico São Miguel , a empresa Espetinhos Jundiaí , também está inovando para não perder.Apesar de não revelar os próximos lançamentos, em função de estarem em fase de conclusão, o sócio-proprietário da empresa, Alfredo Paoletti, garante que vai retomar as vendas com a ampliação do portfólio.Segundo Paoletti, a comercialização de espetinhos para churrasco caíram, no ano passado, entre 20% e 30% se comparado ao registrado em 2001, somando cerca de 80 toneladas/mês."O poder aquisitivo caiu muito: as pessoas não têm mais dinheiro para fazer churrasco todo fim de semana, como era de costume", afirma.Além disso, segundo o empresário, a maior parte dos espetinhos vendidos na rua são montados pelos próprios vendedores, que fazem os espetos com carne comprada em açougues cortada em pedaços.As carnes mais utilizadas nos espetinhos geralmente são a fraldinha e o lombinho, por serem de boa qualidade e terem preços acessíveis, segundo Paoletti.Outro fator que dificulta o negócio, diz o empresário, é a sazonalidade das vendas. "No início do ano - de janeiro a março - as vendas caem pela metade."Já a carne dos espetinhos vendidos pelos churrasqueiros nas calçadas de São Paulo é de procedência desconhecida, e muitos utilizam carne de má qualidade misturada a amaciantes para mascarar sua "dureza".