A quinze dias do início da comercialização da safra de tabaco, os produtores e a indústria ainda não chegaram a um acordo sobre o reajuste dos preços para 2017/2018, após intensas negociações em dezembro. Agora, os agricultores estão na expectativa de como será a venda do produto.

Na safra 2016/2017, o valor médio pago pelo quilo do tabaco foi de R$ 8,63 no Sul do País, principal região produtora. Conforme o gerente técnico da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Paulo Vicente Ogliari, a entidade solicitou um reajuste de 2,7% às indústrias, após proposta inicial de 4,7%, na comparação com os valores da safra anterior. “A melhor proposta que recebemos foi de aumento de 1,7%, o que fica muito distante do que precisamos”, disse. O reajuste é necessário, segundo a entidade, para garantir a rentabilidade do produtor, acompanhando o aumento de custo da produção. Na safra 2016/2017, a renda dos agricultores do segmento somou R$ 6 bilhões.

A rodada de negociações foi encerrada em dezembro e a partir do começo da comercialização, que deve ocorrer com mais intensidade nas próximas semanas, será possível ter uma referência dos valores ofertados pelas indústrias ao produtor.

“Assim que iniciar a comercialização, as entidades acompanharão os negócios de perto e atuarão, se necessário, para garantir a renda dos produtores. Se as indústrias não quiserem aumentar o valor previsto na tabela, devem pelo menos comprar por um bom preço”, destacou o gerente.

A produção de tabaco na safra 2017/2018 deve registrar recuo de 3% em relação às 685 mil toneladas do ciclo passado. A retração foi causada pelos temporais que afetam as lavouras de tabaco dos estados do Sul do País, em outubro do ano passado, especialmente no Rio Grande do Sul.

“Sabemos que uma queda da produção vai acontecer na região do Vale do Rio Pardo, onde foram registradas perdas localizadas. Por outro lado, na região de Santa Catarina e Paraná, a lavoura estava se desenvolvendo muito bem.”

Ele ainda acrescentou que foram registradas chuvas nas últimas semanas em áreas de produção em Santa Catarina. “Mas como são precipitações localizadas, ainda não é possível determinar o quanto essas chuvas afetaram a produção.”

Exportação

O Brasil exportou 462 mil toneladas de tabaco em 2017, recuo de 3,9% em relação ao ano anterior. A receita com os embarques fechou o ano em US$ 2 bilhões, estabilidade em relação a 2016.

De acordo com o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke, a retração já era esperada. “A safra de 2016 foi muito pequena e no final daquele ano o estoque de passagem estava baixo, o que afetou os embarques do primeiro semestre de 2017”, explicou o dirigente.

Para este ano, mesmo com o recuo de produção, ele espera estoques de passagem maiores, que permitam o embarque de um volume superior do produto no primeiro semestre.

Ainda assim, o Brasil se manteve na liderança entre os exportadores mundiais de tabaco – posição que ocupa há 25 anos – e exportou o produto para 94 países.

“Somos responsáveis por aproximadamente 30% dos embarques mundiais, o equivalente a 1% das exportações brasileiras totais, graças à qualidade do nosso tabaco e a organização da cadeia produtiva”, afirmou Schünke.

Oito destinos responderam por aproximadamente 60% das exportações de tabaco em folha: Bélgica, China, Estados Unidos, Itália, Indonésia, Alemanha, Rússia e Coreia do Sul. Apenas o Rio Grande do Sul respondeu por 78% do total embarcado, gerando receita de US$ 1,6 bilhão. O tabaco representou 9,2% dos embarques do Estado no ano passado. Em toda a região Sul, a participação foi de 4,6%. Entre os produtores, o País ocupa a segunda colocação, atrás da China.