Publicado em

São Paulo - Os efeitos do fenômeno El Niño, que levou seca para algumas regiões e excesso de chuvas a outras, não deve barrar um novo recorde na safra brasileira de soja. Especialistas da Agroconsult projetam uma colheita de 101,6 milhões de toneladas, alta de 5,6% em relação a 2014/ 2015.

O levantamento, realizado a campo nas últimas semanas e divulgado ontem (25), supera até mesmo a última expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que trabalha com 100,93 milhões de toneladas para o ciclo de 2015/ 2016, contra 96,22 milhões registradas na temporada anterior.

A área plantada foi revisada para 33,2 milhões de hectares, 3,6% maior.

"As principais revisões positivas se concentraram no Centro-Oeste. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, as produtividades foram revisadas em função do bom potencial das lavouras. Já no Mato Grosso, em especial no Médio-Norte do estado, a irregularidade do clima causou prejuízos e trouxe grande variação na produtividade das lavouras, porém em menor escala do que os técnicos esperavam", informam os especialistas do Rali da Pecuária, expedição promovida pela Agroconsult, por meio de nota.

Segundo a consultoria, os riscos de perdas concentram-se no Matopiba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia) e Leste de Goiás, onde o calendário é mais atrasado e ainda há boa parcela das lavouras em período crítico de desenvolvimento, precisando de chuvas para garantir o potencial produtivo. Outra região com problemas potenciais decorrentes da escassez de chuvas é o Leste do Mato Grosso, que está sendo avaliado esta semana.

Em relação ao milho, a perspectiva para a safra verão é de 28,5 milhões de toneladas, volume 5,1% inferior ao da safra passada, com redução de 6,8% na área plantada, chegando a 5,7 milhões de hectares. Na safrinha, os números também foram revisados para 58,8 milhões de toneladas, com alta de 7,7% sobre a safra passada. A área plantada deverá registrar crescimento de 11,6%, chegando a 10,7 milhões de hectares.

Vendas externas

A consolidação destes resultados tende a dar fôlego para avanço nos embarques da commodity. "Além da alta na produção, vamos comemorar também em 2016 mais um recorde de exportação de soja, que deverá atingir 57 milhões de toneladas, contra 53 milhões de toneladas no ano passado", afirma o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, em nota.

Nesse cenário, o executivo acredita que os portos do Norte e Nordeste serão os grandes responsáveis pelo escoamento do montante extra.