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Brasília - Em vista das metas de expansão da piscicultura estabelecidas pelo novo ministro da Pesca e Aquicultura, Helder Barbalho, os produtores devem se atentar a ferramentas que os ajudem a potencializar seus negócios.

Um exemplo é o software de gestão lançado recentemente pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que auxilia os processos dos pequenos e médios piscicultores gratuitamente.

A tecnologia conta com os seguintes módulos: gestão comercial e financeira, gerenciamento produtivo das espécies, manejo de lotes, elaboração do inventário patrimonial, controle do fluxo de caixa, gestão da biometria, monitoramento da quantidade de ração por lote, acompanhamento da evolução econômica e financeira e supervisão da movimentação.

Controle financeiro

A coordenadora nacional de piscicultura e pesca do Sebrae, Newman Costa, explica que o programa, além de permitir o controle de todas as etapas do negócios, também pode contribuir para abrir as portas dos agentes financeiros aos pequenos produtores.

O piscicultor que opta pelo financiamento bancário, pode apresentar ao banco os relatórios gerados pelo software que mostram a situação financeira do empreendimento e sua capacidade de honrar possíveis empréstimos.

"Para o banco isso é interessante, pois demonstra que o negócio desse produtor está sendo controlado e que ele tem toda uma estrutura para pagar o empréstimo, o que o habilitará a obter o financiamento", enfatiza Costa.

Capacitação

Grupos de produtores de peixes atendidos pelo Sebrae serão escolhidos para experiências pioneiras com a ferramenta. Na avaliação dos técnicos envolvidos com o programa, no momento, não é interessante oferecê-lo sem a capacitação dos produtores.

Devem aderir ao uso da ferramenta produtores que já adotam programas de computador para controlar e administrar as fases de suas atividades. Esses softwares são pagos e contribuem para o encarecimento da atividade.

Metas do setor

Na última semana, o novo ministro da Pesca e Aquicultura tomou posse e ressaltou os próximos desafios do setor. "Trabalhamos com uma meta: produzir 20 milhões de toneladas de pescado por ano até 2030. Capacidade para isso nós temos. O Brasil possui 8.500 quilômetros de costa marítima, o maior volume de água doce do planeta e potencial para ser um dos cinco principais produtores de pescado do mundo", afirmou Barbalho em seu primeiro discurso.

O ministro aposta ainda na utilização máxima do pescado como já ocorre em outros países que chegam a aproveitar quase 100% do produto.

"Precisamos nos educar para uma cultura de utilização máxima de carcaças, cabeças, caudas, restos de filetagem; enfim, todas as sobras do processo de beneficiamento. Isso possibilita agregar valor nutritivo a produtos que não têm proteínas nem sais minerais. Os resíduos de peixes ainda podem ser matéria-prima de produtos como roupas, sapatos, bolsas e muito mais, o que gera mais empregos, mais renda e reduz o impacto ambiental no descarte", observou.

O peixe é a proteína animal mais consumida no mundo com um consumo per capita de 18 quilos por ano. O Brasil está na média dos 14 quilos anuais, já ultrapassou os 12 quilos/ano recomendados pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mas tem muito espaço para crescer.

Por aqui, a proteína mais consumida é a carne bovina, com 47 quilos por brasileiro/ano, seguida da carne de frango, com 41,8 quilos/ano, e carne suína, na terceira posição com 15 quilos/ano.

Nos últimos anos, o ministério destinou mais de 700 hectares de áreas sob domínio da União para a produção anual de 200 mil toneladas de pescados e expansão do setor.