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São Paulo - A Valley, empresa de sistemas de irrigação do grupo norte-americano Valmont, deve ampliar em até 25% o seu faturamento no Brasil em 2017. O crescimento é resultado da restruturação das revendas da marca no País.

De acordo com o diretor-presidente da Valmont no Brasil, Renato Silva, a marca detém 60% do market share do segmento de pivôs centrais no País e deve crescer entre 23% e 25% em relação ao desempenho alcançado no ano passado. "Fizemos algumas ações internas, como a redistribuição e abertura de novas revendas em pontos estratégicos, o que deve garantir um resultado melhor neste ano", afirma Silva.

O processo teve início há quatro anos, quando a marca contava com 26 pontos de venda. Hoje, são 60 revendas. "Nosso desafio é fazer com que essa tecnologia chegue ao produtor e, para isso, precisamos estar presentes nas regiões em que há maior demanda, como Minas Gerais, e também onde precisa ser gerada", destaca.

Ele cita como exemplo Estados do Nordeste e do Sul do País, no que diz respeito ao uso de pivôs. "Isso acontece, em parte, pela falta de cultura de uso da tecnologia", diz. "Ainda precisamos mostrar ao agricultor que irrigação é um seguro que garante a produção, entregando a água necessária no momento certo", acrescenta o dirigente.

Para o ano que vem, Silva estima um crescimento entre 5% a 10% para o setor. "Acredito em uma recuperação para os patamares de 2013 e de 2014, anos que foram bastante positivos para o negócio." Para o executivo, parte dessa expectativa se deve a uma separação da crise política da economia, que ganhou força neste ano.

A Valley é uma empresa do grupo norte-americano Valmont, com sede em Nebraska, que também atua no Brasil com a Irriger, voltada para a gestão da irrigação. Embora as duas atuem de forma independente, oferecem produtos complementares ao agricultor.

A Valmont fatura US$ 3 bilhões globalmente por ano, conta com 11 mil funcionários e tem 60 anos no mercado.

Cenário

Os dados do 'Atlas Irrigação: uso da água na agricultura irrigada', divulgados ontem pela Agência Nacional das Águas (ANA), ajudam a compreender o mercado em que a Valley está inserida.

Segundo o relatório, o Brasil tem 6,9 milhões de hectares utilizados para a produção de 70 culturas com o uso de diferentes técnicas de irrigação. Deste total, a área irrigada com pivôs centrais corresponde a 1,3 milhão de hectares, considerando dados da ANA e da Embrapa, compilados em 2016. De acordo com a pesquisa, a área irrigada no Brasil representa apenas 20% do potencial para a atividade no País. "A irrigação é uma nova etapa no processo de evolução da agricultura, depois do aprimoramento do plantio, colheita e pulverização", opina o dirigente da Valmont no Brasil.

Na divisão por região, o Sudeste possui a maior área irrigada do País, com 2,7 milhões de hectares, seguido pela região Sul, com 1,6 milhão de hectares; Nordeste, com 1,1 milhão de hectares; Centro-Oeste, com 1,1 milhão de hectares e, a Norte, com 194 mil hectares.

Entre os principais cultivos irrigados no País estão o arroz, no Sul e Tocantins; a cana-de-açúcar, no litoral nordestino e no Centro-Sul, e os grãos como milho e soja irrigados com pivôs centrais em Goiás, Minas Gerais e Bahia.

O estudo ressalta que, embora o crescimento da irrigação resulte em maior uso da água, a atividade contribui para o aumento da produtividade no campo e na atenuação de riscos climáticos.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil está entre as dez nações com maior área irrigada do planeta.

Entre os líderes mundiais estão a China e a Índia, com cerca de 70 milhões de hectares irrigados cada, seguidos dos Estados Unidos, com 26,7 milhões de hectares; do Paquistão, com 20 milhões de hectares e do Irã 8,7 milhões de hectares.