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Nos fundos de private equity, a remuneração do gestor é normalmente realizada por meio da taxa de administração e pela taxa de performance. A primeira constitui em um valor fixo, calculado com base em percentual sobre o capital comprometido ou patrimônio líquido do fundo, conforme o fundo esteja no período de investimento ou desinvestimento, servindo para o gestor cobrir seus custos com a equipe dedicada ao fundo e suas despesas gerais de funcionamento. Atualmente, para os fundos de private equity captados junto a investidores institucionais brasileiros, a média tem sido de 1,7% ao ano.

Já a taxa de performance consiste na participação pelo gestor nos resultados do fundo, sendo pago um percentual dos proventos do fundo (geralmente 20%) que excederem o capital investido pelos aplicadores, corrigido por um múltiplo definido quando da constituição do fundo - o indexador - ou "preferred return/hurdle rate" como a terminologia é utilizada no exterior. Trata-se do mínimo de retorno a ser alcançado aos investidores antes que a taxa de performance possa ser paga ao gestor, variando, nos dias de hoje, em torno de IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acrescido de 10% a 11% ao ano.

A remuneração do gestor é chave para alinhamento de interesses entre investidores e gestores, já que investidores não querem pagar grandes taxas de administração para seus gestores, de forma a deixá-los confortáveis apenas com o seu recebimento. Assim, a taxa de performance surge como principal ferramenta para alinhar os interesses das partes, pois atrela os ganhos do gestor aos proporcionados aos investidores.

A solução para alinhamento dos interesses entre investidores e gestores pode ser encontrada nas cláusulas de catch-up, que permitem que o gestor receba remuneração sobre os valores entregues aos investidores a título de indexador, funcionando a distribuição dos proventos do fundo da seguinte forma: (i) primeiramente é devolvido aos investidores o capital investido, (ii) depois é pago o indexador, (iii) em seguida é pago ao gestor o catch-up, uma remuneração incidente sobre os valores pagos a título de indexador, geralmente na mesma proporção da taxa de performance; e (iv) por fim, é distribuído, entre investidores e o gestor, nas proporções acordadas para taxa de performance, demais proventos do fundo. Desta forma, o gestor passaria a ter uma remuneração baseada na totalidade dos lucros gerados pelo fundo e não apenas sobre o que exceder do indexador.

Apesar do conceito do catch-up ainda ser novo no Brasil, não há dúvidas que o mesmo consiste em mecanismo bastante eficaz para conciliar interesses, motivando o gestor e garantindo aos investidores, primeiramente, o seu tão desejado indexador.