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No ano novo a esperança sempre se renova. É natural e saudável que todos sonhem por um caminho e uma vida melhor. Os sonhos impulsionam nossas vidas. Os brasileiros sonham por melhores dias, por bem-estar e por empregos para todos. Os brasileiros já demonstram uma certa confiança na economia para 2019, com a provável retomada dos investimentos e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), e esperam que sejam superadas as frustações de 2018.

Nunca o Brasil pareceu tão ocioso, como se viu nos shoppings, nos prédios comerciais e residenciais, nos armazéns, nas fábricas e assim por diante. Após o resultado das eleições, já se esperava que as empresas retirassem das gavetas os projetos de investimentos que foram esquecidos.

Porém, esse otimismo vai depender das medidas econômicas que serão priorizadas pelo novo governo. O novo ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá tomar medidas de ajuste fiscal que, apesar de impopulares, (gastos supérfluos, concessões, privatizações e até podendo estender aos benefícios fiscais), poderão amenizar o rombo das contas públicas e dar mais confiança aos empresários que necessitam voltar a investir. Para dar sustentação a essa confiança, é importante que o governo avance nas reformas, pois o mercado, principalmente os investidores estrangeiros, esperam uma austeridade maior e uma redução nos gastos públicos e nos níveis de endividamento que, nos últimos anos, só fizerem crescer.

Como as reformas só darão resultados efetivos a longo prazo, é provável que o governo adote medidas de curto prazo para cortar gastos, reduzir a burocracia e aumentar a arrecadação. O nosso sistema tributário é uma verdadeira colcha de retalhos. É hora de reformá-lo e não colocar mais um retalho. Boa parte dessas medidas ou pacotes, que podem ser de bondades ou de maldades, terão que passar pelo Congresso Nacional e o governo Bolsonaro terá que enfrentar uma negociação difícil para a sua aprovação. Espera-se que esse novo governo possua o capital político suficiente para aprovar medidas que encontrariam oposição política em outro contexto.

De início, para viabilizar a aplicação de tratamento de choque, visando enfrentar o desequilíbrio fiscal, independente das reformas tributária e da previdência, faz-se urgente o corte de gastos administrativos e até tributários, bem como o enxugamento da máquina pública, a privatização de estatais e a venda de ações do BNDES.

Dessa forma, será possível organizar as contas públicas e turbinar a atividade econômica. Entretanto, mesmo com essa oportunidade histórica para transformar a economia brasileira, certamente, será um ano de dificuldades para a implantação das reformas, que tornem a iniciativa privada vibrante e capaz de liderar uma longa fase de prosperidade.

Trata-se de um enorme e árduo desafio, o de conseguir aprovar as mudanças necessárias com um novo Congresso. Além disso, temos que levar em conta que o perfil da equipe é mais técnico do que político, cuja precariedade de convivência e de experiência com o setor público pode atrasar um pouco a maneira pela qual os assuntos devem ser conduzidos. Diante da complexidade desse cenário econômico, tanto interno, quanto externo, as expectativas da população, dos empresários e dos investidores é de que o novo governo adote uma agenda de medidas para melhorar o ambiente de negócios e renovar o ânimo de um desiludido setor produtivo

 

 

Cláudio Sá Leitão é conselheiro pelo IBGC e sócio da Sá Leitão Auditores - claudio@saleitao.com.br