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Chama a atenção o fato da maioria das propostas do novo governo abordarem a redução de despesas da máquina governamental. Concordamos que está correto procurar reduzir custos para aumentar a produtividade nos serviços prestados pelo governo.

A aplicação da metodologia da análise do valor Agregado demonstra que existem serviços que precisam ter os seus custos reduzidos e aí devem ser adotadas as soluções clássicas de redução de pessoal, informatização, automação e similares.

Porém, a aplicação dessa metodologia revela que existem também outras oportunidades e vocações que devem ser exploradas em nosso país para possibilitar a criação de empregos e aumento da riqueza nacional.

A grande extensão territorial, a variedade de climas, os recursos naturais e as diversas culturas vigentes trazem oportunidades a serem exploradas. A população de quase 210 milhões de habitantes, proporciona um mercado que desperta interesse em muitas empresas em se estabelecer ou se expandir em nosso pais. A nossa sugestão é que a nova equipe do Governo crie programas e sugira leis que possam incentivar as empresas em setores que criem empregos e aumentem a riqueza nacional. Os antigos programas de fomento também têm que ser revisados para verificar se estão atingindo as metas de criação de empregos e aumento das receitas governamentais.

É de conhecimento das autoridades e dos especialistas os levantamentos obtidos no projeto Radambrasil, que identificou a natureza exuberante da Amazônia e suas riquezas minerais. Como a informação se tornou pública, houve registros de direito de lavra de muitas minas de metais valiosos. Questionamos como poderiam ser estabelecidas novas regras que acelerem a rápida exploração desses recursos minerais, sem ofender o ecossistema.

A sociedade conhece a capacidade de exportação de bens produzidos pelo agronegócio, que alimentam dezenas de milhões de pessoas em outros países. Porém, ainda temos grandes problemas com estradas, ferrovias, terminais e armazéns para escoar e armazenar a produção agrícola. Identificar os principais pontos de estrangulamento e investir para corrigí-los pode trazer importante volume de receitas para o nosso país.

Todos sabem da necessidade de implantação das modernas técnicas e implantação da indústria 4.0. Sucessivas crises resultaram na falta de recursos disponíveis para uma rápida implementação. Pode ser estudada uma abertura para os investidores estrangeiros que venham trazer tecnologia e recursos financeiros para modernizar diversos setores de nossa indústria, inspirada em outros países.

Para atender essas oportunidades é necessário que os recursos humanos estejam preparados. Desperta a nossa atenção as discussões sobre o conteúdo dos cursos primários, que são muito importantes. Seria interessante também rever os cursos profissionalizantes para atender a demanda de recursos humanos qualificados no agronegócio, indústria e serviços. Algumas iniciativas nesse sentido acontecem no Sistema S, e podem servir de modelo para outros programas similares.

Essas sugestões exigem liderança forte, que procure formar equipes dedicadas, compostas pelas melhores cabeças, com o objetivo de obter soluções inéditas que possam trazer o progresso para o Brasil e, efetivamente, agregar valor à nossa economia.

 

Carlos Alberto Bifulco é presidente do Conselho Consultivo do Ibef - bifulco@bifulcoassociados.com.br