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O ano de 2019 começou com uma importante mudança no mercado financeiro: a saída de Ilan Goldfajn da presidência do Banco Central, cargo agora ocupado pelo economista Roberto Campos Neto.

A transição movimentou o mercado das chamadas empresas fintechs, que teve nos últimos anos avanços significativos na regulação e na segurança jurídica do setor aliado às inovações tecnológicas.

O desafio para Campos Neto é estimular mudanças estruturais no âmbito financeiro, criando um ambiente cada vez mais seguro e eficiente sem descuidar de pautas permanentes como controle da inflação e a estabilidade do sistema.

A alta concentração do mercado, o custo elevado das transações, a baixa penetração de produtos e serviços bancários e a forte adoção de tecnologia pela população criou um cenário perfeito para o desenvolvimento das fintechs no Brasil.

O rápido aumento no número dessas empresas de tecnologia financeira impulsionou a regulação e, com a estabilidade e segurança jurídica do setor, houve novo estímulo ao crescimento do número de fintechs no país.

O salto contabilizado foi de 53 empresas, em 2014, para 419 no ano passado, o que equivale a um aumento de nada menos que 700%.

Com isso, ,o segmento já configura uma fatia relevante do mercado, com investimentos da ordem de bilhões de reais.

Neste cenário, a atuação do Banco Central nunca foi tão forte – nos últimos anos, a agenda Banco Central+ pautou a regulação em setores como meios de pagamento, crédito, bancos digitais, antecipação de recebíveis e crowdfunding.

A aprovação das medidas que já estão em análise, como open banking e pagamento instantâneo, trará impactos como a melhora nas condições dos tomadores de crédito, com uma avaliação mais justa do consumidor; o compartilhamento seguro dos dados do cliente e a liquidação financeira em tempo real, dispensando o uso de maquininhas e também de TED/DOC.

A expectativa é que haja continuidade na atuação do Banco Central. Roberto Campos Neto reconheceu o alto custo do crédito no país e a grande concentração do mercado financeiro brasileiro, e afirmou que os avanços tecnológicos trazidos pelas fintechs tendem a fomentar, cada vez mais, e de modo expressivo, a competição no segmento.

Além de Roberto Campos Neto, Bruno Fernandes, diretor de Política Monetária, e João Manuel de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro, adotaram discurso semelhante, o que demonstra uma agenda coesa do BC, e não guiada apenas pelo presidente da instituição.

Estamos falando de um mercado que cresceu inclusive na contramão do cenário macroeconômico, com milhões de clientes, justamente por resolver problemas reais, que ficam ainda mais evidentes em momentos de aperto econômico.

O movimento das fintechs atraiu a atenção do Banco Central, que passou a formar grupos de trabalho e a fazer consultas públicas para tentar entender o rumo dessas mudanças.

Hoje, com o olhar da autoridade monetária do País pautado em inovação e eficiência, as medidas esperadas para o decorrer de 2019 terão o potencial de causar uma nova onda de avanço para as fintechs no Brasil, com redução de custos, aumento da competição e contribuindo para atrair novos investidores.

São condições que ajudarão a melhorar o nosso ambiente de negócios.

 

Pietro Bonfiglioli é co-fundador da Fisher Venture Builder - pietro@fishervb.com