Publicado em

De São Paulo à Cidade do México, passando por Bogotá. Em toda a América Latina, pessoas e empresas estão vivenciando a conectividade e a disrupção digital em potência máxima. No entanto, mesmo com cada vez mais devices conectados à internet, a proteção de dados não tem sido uma prioridade. Três em cada cinco empresas da região planejam reduzir o orçamento de soluções de segurança cibernética, segundo pesquisa da IDC, remando contra a tendência de expansão dos ataques virtuais.

Com as portas abertas para cibercriminosos, as companhias relatam que as invasões mais frequentes são phishings, malwares e malvertising e ataques a senhas, a maior parte de origem externa. A aposta dos hackers é substituir ataques em massa por invasões mais sofisticadas, personalizadas e, por isso, mais imprevisíveis. O primeiro surto de ameaças seguindo esse padrão foi em 2017, uma surpresa grande o bastante para tornar o termo ransomware familiar nos veículos de imprensa e dentro das empresas.

É o caso do ransomware SamSam, que domina as credenciais do administrador e aguarda o momento oportuno para dominar a rede simultaneamente e criptografar arquivos, até o pagamento do resgate. O preço? De 10 mil a 50 mil dólares por ataque, de acordo com a estimativa do Relatório de Ameaças 2019 da SophosLabs.

Então, como o setor privado da América Latina pode virar esse jogo e corrigir as vulnerabilidades? O primeiro passo é proteger os pontos de acesso, investindo em Endpoint Security. Endpoints são todos os computadores, servidores ou dispositivos móveis que servem como interface para enviar e receber dados. Segundo especialistas, laptops e desktops baseados em Windows, seguidos por celulares e tablets do mesmo sistema operacional, são os endpoints mais vulneráveis, e a popularidade deles no mercado latino torna o risco potencialmente alto.

Isso significa investir em soluções adequadas à complexidade e aos desafios apresentados pelas redes corporativas - e isso vai além de simplesmente contratar um antivírus. De acordo com o perfil de risco de cada empresa, os serviços de segurança de plataforma oferecem camadas de segurança sobrepostas, como análise de comportamento do usuário e isolamento de ameaças e criptografia do conteúdo criado pela organização, capazes de defender as informações com êxito.

Em 2018, o investimento em produtos de segurança Endpoint na América Latina foi pouco maior que 300 milhões de dólares, apesar do aumento no investimento geral em TI e segurança. Porém, a transformação digital não evolui sem estar alinhada à cibersegurança. Talvez, por isso, 72% das companhias latinas ainda se posicionam em estágios iniciais de digitalização, com esforços isolados em algumas áreas do negócio ou objetivos e estratégias pensados a curto prazo.

O relógio está correndo: até 2020, 40% das principais empresas da região dependerão de criar produtos, serviços e experiências aprimoradas digitalmente para se manterem competitivas. As companhias devem estar preparadas para passar com êxito pela transformação digital e saírem do processo ainda mais bem colocadas no mercado.

Se o momento é de redução de custos, os CIOs podem se apoiar em consultores e plataformas de segurança cibernética para definir a estratégia mais eficiente para o orçamento disponível - lembrando que prejuízos de ataques são maiores para o caixa e para a reputação da empresa.

 

 

Marcos Tabajara é country manager da Sophos no Brasil - marcos.tabajara@sophos.com