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A maioria dos candidatos à Presidência da República elege com a prioridade máxima da sua plataforma de governo, a geração de novos empregos. De fato, o atual nível de desemprego que atinge aproximadamente 14 milhões de pessoas é uma das maiores preocupações da população brasileira, ao lado da saúde, educação e segurança.

Muitos dos postulantes afirmam que vão criar milhões de novas vagas, em pouco espaço de tempo, sem mencionar a fonte de financiamento necessária, num cenário de poucos recursos orçamentários frente a uma severa crise fiscal.

Todos sabem, que a forma mais célere para criação de novos empregos é investir no setor da construção civil, em novas unidades habitacionais e obras públicas, principalmente em saneamento básico e infraestrutura, que além de demandar um volume expressivo de mão de obra, não suscita, em grande parte, um alto nível de capacitação profissional.

Consta de qualquer manual da autoajuda que uma crise apresenta outro lado da moeda, que é o aparecimento de oportunidades. É o que julgamos acontecer com o escândalo do número de obras públicas paralisadas existente atualmente no Brasil.

Segundo levantamento efetuado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em informações fornecidas pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o Brasil registra o incrível número de 2.796 obras públicas paralisadas e em deterioração, desperdiçando o que já foi investido.

Além de configurar um atestado de total incompetência de gestão da coisa pública é um verdadeiro atentado contra o crescimento econômico e social. Somente no setor de saneamento básico, que é um dos pilares da melhoria da saúde pública e uma das áreas de infraestrutura com um dos piores déficits no País, temos 447 projetos completamente parados.

O setor de infraestrutura e logística também está um caos, principalmente a situação de nossas estradas.

De acordo com estimativa desse estudo, o valor desses investimentos adormecidos em berço esplêndido já ultrapassa a elevada cifra de R$ 10,7 bilhões. E pior: para que sejam retomados e concluídos esses empreendimentos públicados parados, seriam necessários nada menos do que mais R$ 76,7 bilhões.

Como sugestão para viabilizar rapidamente esses recursos, poderíamos utilizar, de imediato, uma parte de nossas reservas internacionais, que estariam em torno de US$ 400 bilhões, cerca de R$ 1,5 trilhão.

Economistas especializados em condução de políticas macroeconômicas consideram que reservas internacionais de até US$ 250 bilhões seriam suficientes para proteger nosso País de oscilações externas e ataques especulativos contra a moeda nacional.

Teríamos, assim, até US$ 150 bilhões para aplicar internamente na retomada dessas obras. Muitos analistas propõem que esses recursos deveriam ser canalizados para abater a elevada dívida pública, em função do alto valor de carregamento da manutenção dessas reservas, com remuneração baixa, em comparação ao custo de captação elevado.

Por outro lado, sugerimos que seria interessante, utilizar também uma parte desse dinheiro para reativar nossa economia. Com apenas US$ 20 bilhões, equivalentes à cotação do dólar em R$ 4,00, essa soma de dinheiro seria mais do que suficiente para concluir todas aquelas obras públicas paralisadas.

Paulo Sergio Xavier Dias da Silva é economista e consultor de empresas

psxds@hotmail.com