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O ano de 2017 se despediu deixando um legado de muitas transformações. A começar pelas profundas mudanças que a tecnologia trouxe para o mercado de trabalho. É consenso entre estudiosos que o mundo corporativo, a economia e a sociedade de forma geral já vivenciam a Quarta Revolução Industrial. O ritmo está acelerado. Dia após dia existem novas regras para os negócios, para a maneira como se atrai, recruta e desenvolve os talentos.

Afinal, quase todas as práticas empresariais estão sendo afetadas, desde a aprendizagem, a gestão, até a própria definição de trabalho. É por isso que, em 2018, CEOs, gestores de RH e líderes devem estar de olho em desafios que vão impactar a produtividade das empresas e também mudar a relação das corporações com seus colaboradores.

Vivenciamos uma robotização no mercado de trabalho. Com a chegada das soluções de Robotic Process Automation (RPA), baseadas em “robôs” ou “bots”, é possível realizar atividades, que até então só podiam ser executadas por pessoas, com maior precisão e performance. Para que se torne viável o uso dessas soluções, é preciso que as tarefas sejam repetíveis, escaláveis e tenham um fluxo contínuo de informações – recebimento de currículos e preenchimento de informações dos candidatos em outro software, em uma seleção.

No entanto, o cenário com RPAs faz com que profissionais com atividades operacionais passem a desenvolver um perfil mais criativo, de pensamento crítico e menos repetição. A transformação digital é uma oportunidade. Pesquisa da PwC, divulgada em 2017 sobre os impactos da tecnologia nas organizações, realizada em cerca de 140 países, mostrou que mais de 70% dos entrevistados não acreditam que a tecnologia irá substituir a criação humana. E as companhias entendem a necessidade de investir também na gestão humanizada, e com a tecnologia executando atividades rotineiras, é possível dedicar tempo com relacionamento mais próximo.

Outra questão na pauta dos gestores é a liderança inclusiva. Trabalhar a diversidade no ambiente corporativo traz uma série de benefícios, como o de tornar os processos de trabalho mais criativos e eficientes. Segundo levantamento da Harvard Business Review, de 2015, empresas em que a diversidade é reconhecida, apresentaram trabalhadores mais engajados. Também foi constatado que a existência de conflitos é 50% menor do que em outras organizações, significando que quando trabalhamos em ambiente que aceita as diferenças, também nos sentimos mais à vontade para aprender, arriscar e contribuir.

Neste ano, o mundo dos negócios vai conviver com mais força com inteligência artificial, people analytics e games. Esses sistemas são fundamentais para uma gestão de pessoas estratégica, proporcionando conclusões mais assertivas para decisão em dados concretos e não apenas em feeling.

Outro desafio é a adaptação ao eSocial. O projeto do governo federal que entrou em vigor este mês para unificar a prestação, por parte das empresas, de suas obrigações trabalhistas e previdenciárias, é uma grande evolução tecnológica na esfera pública. Por outro lado, trouxe às empresas uma mudança grande: a obrigação de melhorar sua cultura organizacional. Enfim, 2018 será movimentado e desafios não faltarão. Será preciso investir em tecnologia para tornar as decisões mais assertivas, aumentar produtividade e reduzir o overhead. Mas, sobretudo, desenvolver seu capital humano e valorizar o ativo mais importante da sua empresa: as pessoas.

Daniela Mendonça é presidente da LG Lugar de Gente

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