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Mesmo com uma extensa área litorânea, a dessalinização raramente foi uma opção de abastecimento no Brasil. No entanto, com as estiagens regulares em diversas regiões do País, a redução do volume e a crescente poluição nos reservatórios de água doce das grandes cidades, o processo tem se tornado cada vez mais viável.

O “dessal” é um conjunto de processos físico-químicos que tem por objetivo a retirada do sal da água do mar, por meio de diferentes tecnologias, tais como: osmose reversa, destilação por multiestágios ou destilação térmica, que é o meio mais antigo utilizado para a realização da técnica. Em países como Israel e Estados Unidos é comum o uso do dessal para provimento de água potável à população. Já no Brasil, o sistema ainda está engatinhando e é pouco conhecido.

Quem tornou o processo mais evidente recentemente foi o governo federal, que destacou a importância da tecnologia ao afirmar que está em busca de alianças com outros países, com a proposta de ampliar o conhecimento sobre o tema para implementação da ação em solo nacional.

O mercado brasileiro já possui projetos e companhias do segmento de tratamento de águas com a “expertise” necessária para projetar, instalar e até operar sistemas de dessalinização, fazendo assim, com que as barreiras tecnológicas não sejam mais um obstáculo para a viabilidade de fontes alternativas de abastecimento público e privado.

As cidades litorâneas podem se tornar referências para estas ações. Levando em consideração o racionamento de água nessas regiões, esta é uma solução que pode suprir a falta de abastecimento de água para a população. A dessalinização beneficia também empresas localizadas próximas ao mar e que possuem a água como um recurso importante dentro de seu processo industrial.

Um exemplo é Fernando de Noronha, que ainda depende da chuva para o abastecimento. Ao todo, 40% da água consumida na ilha vêm de açude e de poços. A consequência disso é a ocorrência de sucessivos racionamentos, que não aconteceriam se todo o abastecimento tivesse origem no sistema de dessalinização, atualmente responsável por 60% da água que chega às casas e comércio de Noronha, cerca por mar.

Mesmo com o processo de dessalinização em notoriedade no Brasil, os custos de operação e manutenção destes sistemas deixam em dúvida a viabilidade da iniciativa em médio prazo, já que o preço total de um tratamento de água de dessal pode ser, em determinadas regiões do País, quatro vezes superior ao do metro cúbico (1.000 litros) do tratamento de água doce tradicional.

Todavia, a cada ano esta equação vem se equilibrando, seja pela dificuldade na captação e tratamento da água doce, ou pelo avanço das regras tarifárias, ou até mesmo pela própria redução dos custos dos sistemas de dessalinização, mediante ao avanço tecnológico dos processos, materiais e equipamentos aplicados.

Diante desse contexto, podemos concluir que a dessalinização pode ser o futuro do tratamento de água no Brasil. Ações e projetos nesse sentido seriam de grande valia para preservar recursos hídricos naturais, reduzir perdas e liberar capacidade das estações de tratamento de água existentes para locais e cidades mais distantes do litoral, além de ser garantia de uma qualidade de água isenta de contaminantes, que os atuais sistemas convencionais não removem.

 

 

Diogo Taranto é diretor de desenvolvimento de negócios na Opersan - diogo.taranto@opersan.com.br