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Pare e pense: quantas pessoas do seu círculo social abriram um negócio próprio nos últimos tempos? Quantas vezes já não passou pela sua cabeça a ideia de empreender? O empreendedorismo tem se mostrado a cada dia mais uma alternativa para os brasileiros, seja em razão das altas taxas de desemprego que já são superiores a 12 milhões de pessoas, seja como um modo de vida e o sonho de realizar seu próprio negócio.

Além disso, a evolução tecnológica proporciona uma série de alternativas e estimula o desenvolvimento do “DNA empreendedor” – que, por sinal, tende a crescer mais ainda nas novas gerações.

De acordo com dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM Brasil), em 2017, a taxa total de empreendedorismo era de 36,4%. Isso significa que, de cada 100 brasileiros adultos (18-64 anos), 36 deles estavam conduzindo alguma atividade empreendedora, quer seja na criação ou aperfeiçoamento de um novo negócio, ou na manutenção de um negócio já estabelecido. Em números absolutos isso representa quase 50 milhões de pessoas.

Dados do mesmo portal também revelam que muitos brasileiros vêm tocando seus negócios desde cedo. Na faixa etária de 16 a 18 anos, há mais de 119 mil inscritos como MEI em diversas atividades. Mas também há muitos idosos: são mais de 430 mil pessoas acima dos 60 anos empreendendo legalmente.

O Microcrédito, é uma linha de crédito direcionada para quem trabalha por conta própria, seja pessoa física ou pessoa jurídica e tem uma importante contribuição para o desenvolvimento do pequeno empreendedor. O crédito tem como finalidade incentivar o empreendedorismo, com foco em formação e incentivo do empreendedor que tenha seu negócio com faturamento de até R$ 200.00,00 por ano e pode tomar crédito de R$ 400 a R$ 21 mil, que pode ser utilizado para investimento, expansão e para manutenção de seu negócio.

O grande marco que desenvolveu, difundiu e serviu de modelo para popularizar o Microcrédito foi a experiência iniciada em 1976 em Bangladesh, pelo professor Muhamad Yunus. Observando que os pequenos empreendedores das aldeias próximas à universidade onde lecionava eram reféns de agiotas, pagando juros extorsivos, Yunus começou a emprestar pequenas quantias de recursos pessoais, que depois ampliou, contraindo empréstimos.

Este mesmo ciclo virtuoso enxergamos hoje nas comunidades que acessam o microcrédito no país, a maioria do Nordeste e comunidades periféricas do Sudeste em que vemos na prática ocorrer desenvolvimento das comunidades onde vivem os empreendedores que acessam o microcrédito, pois eles passam a gerar renda e emprego no seu entorno, o que acarreta um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

Mais do que oferecer o crédito, o papel é de inclusão financeira àqueles que ainda vivem à margem do sistema tradicional e o microcrédito é esta porta de entrada para formalização, trazendo para as instituições financeiras o papel de fomentar o empreendedor a melhorar a performance do seu negócio e a gerar receita e renda para o seu entorno.

Minha aposta é que veremos, nos próximos anos, o empreendedorismo e o microcrédito se expandirem no Brasil e terão papel relevante para a redução da desigualdade social, para inclusão social através da geração de receita, renda e emprego.

simone.gallo@itau-unibanco.com.br