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A Amazônia é a maior extensão de florestas tropicais do mundo e é de fundamental importância para a sobrevivência do nosso planeta. Mas não é de hoje que o futuro da região vem sendo pintado em cores sombrias. A mais recente pesquisa sobre os perigos que ameaçam o bioma é um estudo publicado na revista Nature Climate Change por três pesquisadores brasileiros e um holandês.

Esse estudo mostra que em apenas 30 anos a Amazônia pode ter a metade de sua área reduzida em razão dos efeitos combinados do aquecimento global e do desmatamento. De acordo com essa pesquisa, em um cenário otimista até 2050 ocorrerá a perda de 43% das árvores da região e em um cenário pessimista, de 58%.

O grupo produziu mapas de distribuição original de cada uma das 10.071 espécies de árvores amazônicas conhecidas, descobrindo que haveria 1.500 espécies a cada 10 km². Em seguida, o estudo avaliou os impactos do desmatamento e das mudanças climáticas até 2050; surpreendentemente, os impactos destas últimas se mostraram mais fortes do que os provocados pelo desmatamento nesse período.

As perdas de áreas aptas causadas pelo desmatamento seriam entre 19% e 33%, enquanto que a variação provocada pelas mudanças climáticas seria de 47% e 53%. Para os autores, esses impactos combinados gerariam perdas de 53% a 65%, resultando em redução da riqueza de espécies entre 43% e 58%. Nas palavras de uma das pesquisadoras, Ima Vieira, temos um mapa chocante, com a floresta dividida ao meio.

Os riscos para a floresta amazônica aumentam consideravelmente se aprovado o Projeto de Lei 2.363/2019, que propõe a eliminação da reserva legal nas propriedades rurais da região. Se isso ocorrer, cerca de 89 milhões de hectares e a floresta amazônica e muitas espécies correriam riscos de extinção. Por isso, precisamos aumentar, não diminuir, a governança ambiental na Amazônia legal. Áreas protegidas e reservas legais devem ser consideradas instrumentos complementares de proteção à biodiversidade.

Iniciativas positivas de preservação da Amazônia também estão ameaçadas. Criado em 2008 para captar investimentos em projetos de ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal, o Fundo Amazônia já recebeu R$ 3,1 bilhões em doações – 93,3% da Noruega e o restante da Alemanha.

O governo brasileiro já anunciou que pretende usar os recursos do Fundo Amazônia para pagar proprietários de terra que vivem em unidades de conservação. Essa postura contraria a posição de noruegueses e alemães, para quem o dinheiro deve ser usado exclusivamente em projetos de combate ao desmatamento e redução da emissão de gases de efeito estufa. E se o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), criado para fixar critérios para doações da entidade, for extinto, como pretende o governo, as futuras doações para a preservação da Amazônia estarão seriamente comprometidas. O Ministério Público Federal da Amazônia já abriu inquérito para apurar se o Ministério do Meio Ambiente faz uso correto das verbas do Fundo.

Mahatma Gandhi dizia que a grandeza de uma nação pode ser aquilatada pelo modo como seus animais são tratados. Eu modestamente acrescentaria que essa grandeza pode ser julgada pela maneira como um país trata seu meio ambiente.

 

 

José Luiz Penna é presidente nacional do Partido Verde (PV) - nacional.pv@gmail.com