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Em 2019 o ensino de arquitetura e urbanismo, engenharia e saúde no Brasil poderá ser alvo de intensas discussões sobre modalidade de ensino a distância versus modalidade presencial. Trata-se de recente decisão do CAU/BR, de recusar registro profissional a alunos formados em EaD e, na mesma direção, de manifestações de Conselhos Profissionais, das áreas das engenharias e da Saúde, contestadas de imediato pelas associações que representam as instituições de ensino que estão notificando estes órgãos, reivindicando que se abstenham de ações que impeçam o registro profissional dos alunos.

Como educador de engenharia, com quase cinco décadas de atuação no ensino de engenharia presencial, EaD, público e privado, e nos últimos cinco anos dedicados a analisar os impactos da Revolução 4.0 na educação, tenho a afirmar que a discussão caminha para uma perda de energia, inócua e com um final claro: será uma batalha entre advogados das partes e não entre nós educadores!

Nós profissionais e educadores devemos assumir que hoje o nosso sistema de educação, com a massificação do ensino, é de má qualidade, na sua maioria presencial, e não em EaD; a sala de aula, mesmo nas melhores escolas de todo o País, não mudou; os docentes, em geral, são reativos às mudanças; não existem processos de avaliação e acreditação de cursos; os profissionais estão ainda na busca para entender o significado do mundo 4.0.

A comunidade de educadores deve enfrentar o problema de frente, com humildade e coragem: o problema é nosso e não dos advogados. Urge que mudemos as nossas salas de aula, os nossos sistemas de avaliação, os sistemas de certificação profissional. Os advogados já têm uma intensa agenda de outras ações, esta é nossa!

Educadores, docentes e alunos, a indústria 4.0 está aí à nossa disposição com a necessidade de novos conhecimentos: em big data, analytics, inteligência artificial, manufatura aditiva e internet das Coisas, blockchain, com impactos transformadores na servitização e na sustentabilidade dos negócios.

Profissionais dos conselhos, a revolução 4.0 está em todos os setores da economia: no de energia, nas cidades, na robótica, na fusão das engenharias e medicina, na digitalização do corpo humano, da mente, na internet do futuro (“brain net”).

Educação presencial versus EaD não é uma questão jurídica, é uma questão de mudança das nossas mentes, das nossas atitudes e coragem de mudar: a Revolução 4.0 está aí para nós educadores assumirmos as mudanças, em benefício de todos os alunos.

Alunos, nós educadores e profissionais, neste mundo 4.0, estamos diante de um fascinante “novos tempos”, na busca de novos conhecimentos, não podemos entregar os nossos problemas aos advogados. Resolvamos nós!

Líderes de universidades e empresas apresentam planos e ações para inspirar como podemos inovar tendo a sustentabilidade como propósito. Desta maneira, o foco é elencar alternativas para elevar a educação de qualidade a quem precisa e, assim, propor caminhos efetivos com melhor eficácia na educação. Portanto, é hora de mudarmos, termos qualidade nos nossos cursos, profissionais certificados, à luz de novos sistemas de avaliação da aprendizagem, com uma nova sala de aula, sendo parte presencial, com práticas de laboratórios e ateliês de projeto, e o restante em EaD! Tudo é Sala de Aula!

aecioflira@gmail.com