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Na minha infância havia uma máxima repetida à exaustão: investir em educação é a melhor forma de garantir uma vida confortável na velhice. Essa crença tinha muito peso. Direcionava as famílias na aplicação de seus orçamentos e funcionava como um incentivo para os jovens se dedicarem com mais afinco aos estudos. Por mais que o lastro fosse a simples sabedoria popular, hoje tenho clareza de que a afirmação não estava equivocada.

Muitos estudos comprovam a relevância da escolaridade na vida financeira de uma nação. A boa educação tem impacto direto na empregabilidade e renda, influenciando positivamente no crescimento do PIB interno.

Já no final da década passada, o Instituto Votorantim realizou algumas pesquisas em parceria com o Centro de Políticas Sociais da FGV para compreender qual seria o tamanho desta influência. Utilizando dados da PNAD, provamos que quanto mais anos de estudo uma pessoa tem, maior é a chance de estar empregada e maior é o rendimento salarial. A futura taxa de ocupação dos estudantes aumenta 3,8% a cada ano passado em sala de aula. Já na remuneração o retorno é de 15% a mais por ano de estudo.

Mas há algum impacto da educação sobre a economia dos países? Para Eric Hanushek, renomado economista da Universidade de Stanford nos EUA, a resposta é sim. Segundo estudos publicados por ele, há uma correlação direta e significativa entre a qualidade da educação básica, medida pela proficiência dos alunos em línguas, matemática e ciências, e o crescimento do produto per capita dos países. E a conclusão permanece válida mesmo quando se analisa separadamente os países desenvolvidos e aqueles em desenvolvimento. Ou seja, cuidar do ensino de crianças e jovens sempre será vantajoso, estejamos em um país rico ou pobre.

Um ponto importante a considerar, é que a qualidade do ensino – que é o ponto crucial – não está relacionado ao montante investido. No Brasil, temos bons exemplos que provam ser possível melhorar a aprendizagem dos alunos sem a necessidade de crescer os gastos. Em cidades do Ceará a gestão educacional responsável e comprometida com a aprendizagem acrescida da maior colaboração entre o governo estadual e os municípios, tem promovido ganhos importantes no IDEB, indicador que mede a qualidade da educação nacional.

Se todos os municípios evoluíssem no IDEB no mesmo ritmo que Sobral tem evoluído, em 2025, a média nacional do indicador poderia chegar a 7,3 para os anos finais do ensino fundamental. No ritmo atual, a projeção é de 4,8. Nos anos iniciais, chegaríamos a 8,6 contra os 6,8 do ritmo atual. Segundo estimativa que realizamos em parceria com a consultoria Metas, o resultado deste ganho de qualidade seria um ganho de 1,5% no PIB em 2025.

Essa evolução não é suficiente para cobrir todo o rombo da previdência. Mas a contribuição para a economia e para o futuro das crianças e jovens não parece ser desprezível a ponto de justificar o abandono técnico e estratégico a que se relegou a pasta nacional da educação. Se fôssemos capazes de ter um bom plano para alavancar a aprendizagem de nossos alunos, teríamos um futuro mais promissor e desafios bem menores no campo da previdência. Nossos bons exemplos mostram que essa virada é possível sem crescer gastos. Basta tratar o desafio com humildade, seriedade e bom senso. Afinal, com educação de qualidade todos ganham.

 

 

Rafael Gioielli é gerente geral do Instituto Votorantim - rafael.gioielli@institutovotorantim.org.br