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Atualmente, existem duas vulnerabilidades no mundo dos negócios brasileiro: a ausência de gestão voltada a construir o futuro e a falta de líderes inspiradores. Em um mundo volátil, complexo e ambíguo, os líderes são um poderoso fator de vantagem competitiva. Sua relevância fica clara quando vemos um empreendedor sul-africano prometer internet barata no mundo inteiro no que parece um momento megalomaníaco e receber autorização do governo norte-americano para colocar mais de 4,4 mil satélites em órbita, o que o fará cumprir o prometido.

Estou falando de Elon Musk, líder da Tesla e da SpaceX. Precisamos desse tipo de líder no Brasil. Para isso, deveríamos entender duas mudanças que vêm passando despercebidas no mundo atual: a definição do que é um bom líder e a maneira de desenvolver essa nova liderança mudou completamente.

Muitos gestores ainda citam Steve Jobs como seu modelo de bom líder – e o cofundador da Apple até foi um líder incrível, mas o arquétipo de bom líder aponta cada vez mais para Jack Ma, cofundador e CEO do gigantesco e-commerce chinês Alibaba.

Professor de origem humilde, fundou uma plataforma de pequenos negócios que, mesmo localizada em um mercado emergente, já faz par com as quatro maiores corporações norte-americanas em termos de poder de fogo – Amazon, Apple, Google e Facebook.

A boa liderança futurista só pensa em competir em termos de dez anos – “se você quer competir pelo próximo mês, você já perdeu”, defende Jack Ma. O líder deve enxergar as coisas de modo diferente dos outros – quando todo mundo está satisfeito, ele fica preocupado; quando todos estão pessimistas, ele é o otimismo encarnado.

É muito importante para o novo líder tornar melhor cada um de seus funcionários, fazendo-os aprender mais e mais, ensinando-os a melhorar com o trabalho em equipe. E como se forma essa nova liderança? Segundo Ma, eles não devem ser treinados, de modo algum, naquilo que as máquinas farão melhor.

Para o CEO da Alibaba, se houvesse uma base nacional comum curricular para a liderança, como há para o ensino médio no Brasil, as disciplinas fundamentais seriam valores como diversidade, pensamento independente, trabalho em equipe, empatia, propósito de longo prazo, capacidade de aprender com erros e, sobretudo, cultura do aprendizado permanente.

Concordo com Ma quanto aos dois aspectos – o novo perfil do líder e a maneira de desenvolvê-lo. Só acrescento que esse aprendizado precisa ser customizado, porque, como diz o estudioso canadense Henry Mintzberg, nunca é tarde para alguém aprender algo, mas às vezes é cedo demais.

O aprendizado da liderança depende do aprendiz e requer customização. As pessoas aprendem a liderar com a própria experiência como líderes e com a reflexão sobre essa vivência. Assim, o ensino da liderança é um fluxo.

Nesse novo cenário, há um grande desafio para os educadores de líderes: garantir que o aprendizado flua da melhor e mais customizada maneira possível ao longo das experiências.

Para isso, acredito em um aprendizado orgânico, mobile, não linear e integrado ao negócio. A ausência de líderes é um gargalo imenso para o Brasil e formá-los é mais importante do que nunca para nós, inclusive para contribuir para o reaquecimento da economia como um todo no curto prazo.

Guilherme Soárez é CEO da HSM, empresa especializada em educação corporativa

incompany@hsm.com.br