Publicado em

Operários de capacetes, luvas e outros equipamentos de seguranças nas construções são comuns, mas nem sempre foi assim. Quando a legislação foi introduzida, a maior dificuldade dos gestores era convencer seus liderados a incorporá-las.

Usar equipamentos de segurança era reconhecer que o trabalho que aquelas pessoas faziam, diariamente e muitos por uma vida inteira, tinha de fato riscos: Risco de vida! Era mais conveniente se esquecer das centenas de pessoas que acabaram "virando estatística" e acreditar que "com ele seria diferente".

Hoje não é mais assim. Será? Lembra de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais? Centro de Treinamento dos atletas de base do Flamengo, no Rio de Janeiro? Chapecoense, na Colômbia? E tantas outras "estatísticas" que não ganharam destaque?

Quando participei como membro do Conselho de Administração de uma grande indústria, passei a seguir um canal de segurança no trabalho no Instagram para me conectar com a realidade e sair da "bolha".

 

A partir dessa vivência, cheguei a duas conclusões: riscos existem e precisam ser gerenciados. E uma vida não tem preço. Riscos devem ser monitorados. É impossível excluir riscos e, em muitos casos, é indesejável eliminá-los.

Analogamente, a melhor maneira de um varejista zerar os riscos de crédito, por exemplo, é não vender. Por outro lado, devemos envidar os maiores esforços e não economizar quando o assunto for proteger vidas. Vi muitas negociações conduzidas por astutos advogados que protegeram tanto seus clientes que o negócio não saiu – objetivo alcançado: risco zero!

Todas as empresas (e também os indivíduos) devem fazer seu mapa de risco colocando em um gráfico Probabilidade (eixo “x”) versus Severidade (eixo “y”). Riscos muito prováveis e severos devem ser mitigados energeticamente. Poupamos nossas energias com riscos de baixa intensidade e pouco prováveis.

O problema pode ser estruturado por assunto: Estratégicos, Segurança, Econômico, Operacional, Legal, Cibersegurança. Não tem certo ou errado nesse tio de circunstância. Para começar é simples: basta perguntar para as pessoas o que pode dar errado.

Fiquei sabendo, recentemente, de um empresário que economizou algumas dezenas de reais da sua apólice de seguros ao excluir a cobertura de alagamento, afinal, o seu escritório ficava no último andar.

E, em uma dessas chuvas de verão, perdeu metade do escritório em um vazamento. E teve de arcar com um prejuízo de valor muito acima do que teria pago no seguro.

E aquele empresário bem sucedido que faz “tudo certo”, mas anda de patinete na Avenida Faria Lima, na capital paulista, sem capacete, colocando tudo a perder – literalmente, tudo a perder!

Um dos assuntos mais importantes, nos conselhos de administração, são investimentos, prioridades e retorno esperados. Quando o dinheiro é insuficiente, selecionar e priorizar é crucial.

O Conselho de Administração precisa ter muita maturidade para equilibrar interesses e manter tanto a empresa quanto os colaboradores vivos. Risco existe: são muitas situações, variações e possíveis consequências.

Não podemos ignorá-los, especialmente quando ele pode custar uma vida. O primeiro passo é simples: mapear e classificá-los – ou você ainda está ignorando-os?

 

 

José Roberto Securato é conselheiro da Saint Paul Escola de Negócios - jose.securato@saintpaul.com.br