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Em certa ocasião, pude discutir com representantes do governo e entidades nacionais de telecomunicações os desafios da ampliação da infraestrutura e dos serviços de banda larga no Brasil.

O debate ocorreu durante o Painel Telebrasil, evento que acontece todos os anos, tradicionalmente em Brasília (DF) e que é o ambiente propício para fomentar as discussões estratégicas do setor.

Iniciativas como essa são importantes para que instituições públicas e privadas trabalhem juntas pelo desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, econômico, do País.

Para que o Brasil possa usar todo o potencial da tecnologia a seu favor, governo, operadoras e indústria precisam superar desafios que ainda impedem que uma parcela da população esteja conectada. Somente essa sinergia pode ser capaz de promover mudanças que culminem em soluções para transformar o Brasil e oferecer um futuro melhor a todos.

De acordo com dados do governo, o programa Internet para Todos, que propõe acesso à rede a preços reduzidos onde é possível existir a recepção de antenas, já tem adesão de quase quatro mil municípios. Isso significa que 70% dos municípios do Brasil já são atendidos. No entanto, de acordo com relatório deste ano do Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE), cerca de 35% de toda a população do País ainda não tem acesso à rede, apesar dos esforços recentes.

No entanto, um dos principais desafios do País é oferecer internet de qualidade aos habitantes desses municípios, o que demanda uma infraestrutura robusta que suporte um grande volume de dados. Em estudo recente, a Software Alliance avaliou o nível de acesso à internet no Brasil e de acordo com o relatório, os usuários conectados estão bem abaixo da média global quando se trata de qualidade e velocidade de conexão.

Esse ponto é crítico quando pensarmos em um futuro próximo com novas tecnologias, como 5G e a Internet das Coisas, por exemplo, que demandarão um tráfego de dados ainda maior para que funcionem em todo seu potencial.

Outro gargalo é a necessidade de antenas convencionais quando falamos em ampliar a cobertura de internet no Brasil, pois leis locais e procedimentos de licenciamento inadequados em muitos municípios dificultam a instalação.

Existe uma compreensível preocupação das prefeituras com os impactos ambientais e paisagísticos gerados pela instalação de antenas, que é refletida em legislações municipais que restringem o uso do solo e limitam o maior alcance de cobertura. Ainda assim, existem soluções no mercado que podem contornar esse problema, como por exemplo postes que integram iluminação e conectividade sem impactar o visual.

É preciso superar esses desafios para que o País possa usufruir de todas as oportunidades de negócios e investimentos que a banda larga é capaz de oferecer. A ampliação de conectividade em áreas remotas do Brasil representa uma série de oportunidades econômicas e sociais que não podem ser ignoradas.

Ampliar a cobertura e a qualidade da conexão significa tornar possível a criação de novos negócios e aumentar a eficiência dos já existentes, além de trazer maior produtividade a mercados como o agronegócio e levar programas sociais para a população rural.

 

 

 

Carlos Lauria é diretor de relações governamentais da Huawei - carlos.lauria@huawei.com.