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Muito se fala sobre o quanto a burocracia é um problema para os empreendedores brasileiros. A reclamação, porém, está embasada em dados estatísticos. De acordo com o Banco Mundial, o País é o que mais demora na preparação de documentos para pagamentos de tributos em todo o planeta. Nada mais, nada menos que 1958 horas são gastas no Brasil para esse fim. São necessários quase três meses para dar conta dessa organização. A média ao redor do globo, pasmem, é de 322 horas.

Pior: no relatório Doing Business de 2019, também do Banco Mundial, o Brasil está na 109ª posição no ranking de países mais fáceis de se abrir uma empresa. Estamos atrás da Namíbia, Papua Nova Guiné, Tonga, Butão e Botswana. É uma vergonha nacional.

Tal número, estarrecedor, traz à baila não uma necessidade, mas uma urgência: é preciso desburocratizar o mercado como um todo. Para isso, todavia, nós, empreendedores, precisamos começar tal movimento pela nossa própria empresa. E nós só temos a ganhar com isso.

O mais óbvio e, talvez, principal benefício da desburocratização é a agilidade. Em tempos nos quais é cada vez mais difícil fazer a gestão do tempo, ganhar celeridade em processos que antes eram muito mais lentos é um imenso ganho para uma empresa. Gastar 1958 horas apenas para se preparar para pagamentos é um imenso contrassenso nos dias atuais.

Menos burocracia também significa menos documentos para abrir uma empresa. A regulamentação e a fiscalização de empresas é fundamental, mas, no caso brasileiro, tudo leva a crer que os requisitos legais para começar a atuar são exagerados. Tantas exigências acabam, apenas, desmotivando quem gostaria de ter seu próprio negócio – e colaborar com a economia do País. Isso faz com que, também, a criatividade e a inovação sejam prejudicados. Ora, quem vai querer buscar crescer no mercado com tantos empecilhos? Nada mais natural que isso não aconteça.

Um ponto que chega até a ser irônico também é interessante. Quanto mais burocracia, mais corrupção. Se, em tese, a rigidez e a imensa quantidade de documentos tem como finalidade uma melhor fiscalização do mercado pelo Estado, por outro, o excesso de documentos, dinheiro, instâncias e entidades faz com que mais caminhos para desvios de qualquer ordem apareçam.

Ao menos é o que aponta uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). De acordo com o levantamento “Rumos da Indústria Paulista”, mais de 90% das empresas participantes acredita que o excesso dos trâmites já foi um impeditivo para o crescimento da companhia.

Pior: para 71,5% das marcas que responderam à pesquisa, os governos não têm conseguido criar políticas eficientes de desburocratização.

Por fim, menos burocracia, embora não seja regra, costuma indicar mais automatização. Ter todos os processos digitalizados traz mais eficiência e segurança para a empresa. Existem muitas startups que lidam com o sistema financeiro, chamadas de fintechs, que ajudam empreendedores a controlar orçamentos e ganhar tempo no adiantamento de recebíveis, por exemplo.

Com o Brasil e um mercado ainda muito burocratizado, a empresa que caminha no sentido contrário ganha muitos pontos. O empreendedor que encontrar o caminho estará muito bem posicionado futuramente.

 

 

Marco Camhaji é CEO da Adianta - marco@adianta.com.br