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A economia criativa, embora seja pouco conhecida pela maioria das pessoas, é um dos setores mais importantes em todo o país. Apenas em São Paulo, o segmento reúne 100 mil empresas e instituições, gera 330 mil empregos diretos e representa 4% do PIB (Produto Interno Bruto) paulista. Metade dessa força econômica está no interior e no litoral; e a outra metade, na capital.

Nesses 4% do PIB estão incluídas as empresas licenciadoras de marcas e personagens, representadas pela Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (Abral), entidade que reúne cerca de 350 empresas no país. Para dar uma ideia da relevância do licenciamento, no comércio proveniente de quatro setores – brinquedos, agricultura, alimentos e higiene e limpeza –, os impactos diretos e indiretos do licenciamento chegam a R$ 70 bilhões em produção na economia nacional, geração de 1,5 milhão de empregos, R$ 13,3 bilhões em salários e quase de R$ 4,8 bilhões em tributos, conforme estudo da consultoria GO Associados.

Esse círculo virtuoso é movido por empresas como Mauricio de Sousa Produções (MSP), Galinha Pintadinha, TV PinGuim, responsável por animações como O Show da Luna!, e Disney, entre muitos outras, todas associados à Abral. Essas empresas são responsáveis pela criação de conteúdo qualificado, com o uso de mão de obra especializada, capaz de produzir para as mais variadas mídias, além de licenciar suas marcas, como o MSP, para atrações como parques temáticos, hotéis e restaurante.

Há também startups, como a “Dentro da História”, que produz livros infantis personalizados e cujos personagens licenciados são grandes estrelas, como Luna, Patrulha Canina e Smilinguido. O projeto acaba de iniciar suas operações na Espanha, o quinto mercado de livros da Europa. A empresa planeja estar em cinco países do continente nos próximos meses. No Brasil, já vendeu mais de 250 mil livros em dois anos de operação. A chave para esse resultado é um modelo inovador de negócios: criar livros personalizados que só são impressos após a venda final. Assim, a empresa elimina custos tradicionais no mercado editorial, como o de estoque, encalhe e compartilhamento de receita com livrarias.

Por trás dessa indústria, tão importante para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do país, há uma outra que não aparece e que merece uma atenção. É o universo burocrático, que o governo do Estado de São Paulo tem atacado. Um exemplo é a transformação da Secretaria de Cultura do Estado em Secretaria de Cultura e Economia Criativa. Melhor ainda, com esse movimento, também nasceu o ProAC Expresso, que facilitará o acesso ao incentivo fiscal via ICMS e ampliará o fomento direto. Também é animador ver o Forma SP, um programa de formação e capacitação, que atingirá dezenas de milhares de pessoas.

Há outros caminhos para o crescimento e oportunidades que se aproximam para o setor. Uma delas é a exportação do nosso conteúdo, que passa por baixo do radar quando são analisados caminhos para o desenvolvimento. A economia criativa é de uso intensivo de profissionais que, com sua capacidade de idealizar novos universos, movimenta outro, este capaz de alavancar ainda mais um Estado como o de São Paulo. Para cada emprego gerado no núcleo dos setores criativos, há um efeito multiplicador de outros quatro para os segmentos econômicos da cadeia produtiva em atividades relacionadas.

 

 

 

Marici Ferreira é presidente da Abral - marici@abral.org.br