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Nunca se falou tanto de investimentos no Brasil. Na mídia e no mercado, proliferam especialistas que, diante do cenário de instabilidade econômica enfrentado pelo País, encontram cidadãos ávidos por dicas para ganhar dinheiro via bolsa de valores, Tesouro Direto, fundos de renda fixa, criptomoedas como o Bitcoin, e outras modalidades. No entanto, em meio a toda essa popularidade do tema, praticamente não se lê ou ouve a palavra “fiduciário”. Fiduciário vem de fidúcia, que significa confiança. E quando você tem uma relação de confiança com seus clientes, o melhor modelo de negócio para monetizar essa relação é o fiduciário.

Na Inglaterra e nos Estados Unidos, o modelo fiduciário é regulado por instituições públicas, o que ajudou a popularizá-lo para a gestão de patrimônio em larga escala.

Já no Brasil, ele é mais utilizado por family offices que administram grandes fortunas, ou seja, está acessível a uma parte ínfima da população. Por aqui, a maior parte da gestão patrimonial é feita no modelo transacional, que se baseia na venda de produtos, e não de planejamento financeiro, o que é um obstáculo evidente para se alcançar bons resultados, principalmente porque o gerente do banco vende um produto que é bom inicialmente para o banco, e não necessariamente para o investidor. Se ele chega a ganhar dinheiro, ótimo, mas vale saber que o banco já ganhou o dele antes.

Felizmente, o modelo fiduciário em larga escala começa a ganhar espaço no Brasil, atraindo consultores financeiros, agentes autônomos e ex-bancários que desejam oferecer um formato de negócio customizado, transparente e verdadeiramente alinhado com os interesses do investidor, seja ele de pequeno, médio ou grande porte. Quem opera sob esse modelo, assume o compromisso de ser remunerado exclusivamente pelo cliente e, portanto, tem como foco oferecer o melhor serviço, de acordo com aspectos individuais e familiares do investidor.

Já no modelo transacional, adotado por todos os bancos comerciais e corretoras, a relação com o cliente é a mesma de um vendedor de loja, ou seja, o interesse é vender, e não ser estratégico. Não surpreende que, de forma a garantir maiores comissões, os clientes sejam instruídos a mudarem a carteira de investimento com frequência, contrariando as recomendações das melhores práticas de gestão financeira.

Por outro lado, no modelo fiduciário, o consultor financeiro tem o importante papel de entender as necessidades do cliente e definir qual a melhor alocação patrimonial, a fim de buscar as melhores alternativas para alcançar os objetivos do investidor e, consequentemente, garantir para si próprio uma melhor remuneração de forma totalmente transparente. É uma vantagem inconteste sobre o modelo transacional, e que agora está ao alcance de todos os brasileiros.

Somos uma população sabidamente imediatista e com pouca vocação para poupar, características que somadas ao aumento da expectativa de vida e ao impasse do sistema previdenciário nacional, tornam ainda mais evidente a necessidade de pensar no futuro e buscar investimentos inteligentes para encará-lo com tranquilidade. Os indivíduos precisam assumir a responsabilidade por seu equilíbrio orçamentário, para que não dependam da esfera governamental. Planejamento financeiro é prioridade. E o modelo fiduciário é o que traz melhores resultados.

Pedro Guimarães é sócio-fundador e CEO da Fiduc

pedro.guimaraes@fiduc.com.br