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Os negócios estão se transformando em um nível acelerado, trazendo novos desafios para as empresas. A velocidade da comunicação e a necessidade de integração mudam a maneira como as empresas operam e planejam seu futuro e com a transformação digital, a onda disruptiva está presente em tudo, incluindo a gestão.

Mesmo as indústrias reconhecidas pela maturidade em relação aos riscos, como a financeira, precisam avançar para uma gestão estruturada e estratégica nesse aspecto que auxilia na tomada de decisões das organizações, alavancando performance e resultados.

Os maiores obstáculos na gestão de riscos se concentram nos fatores humanos e começam na falta de entendimento do tema. Essa deficiência da percepção de riscos somada ao baixo senso de vulnerabilidade das pessoas afetam todas as áreas de uma companhia, fazendo com que a gestão de riscos seja encarada como uma ferramenta da área de compliance, por uma necessidade de atender as conformidades com stakeholders.

A cultura da organização e o mindset dos colaboradores devem encarar essa gestão de riscos como uma alavanca de performance. Além disso, é essencial alocar profissionais bem qualificados nessa área para comunicar, demonstrar valor agregado e quantificar retornos.

Outra grande barreira é construída quando as empresas, na tentativa de evoluir na gestão de riscos, fazem avaliações com base na percepção de indivíduos, considerando os líderes das áreas e a diretoria executiva para discutir as matrizes de riscos. O que é um erro, pois a percepção, comprometimento e comportamento devem ser coletivos.

Diante desse panorama, algumas organizações estão caminhando na direção certa como o COSO® (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission), cujo framework é utilizado pelo governo norte-americano para avaliar riscos de grandes empresas que operam no país. Em novembro de 2017, “transformaram” o KRI (Indicador Chave de Riscos) em KPI (Indicador Chave de Performance), ou seja, com a gestão dos riscos alavancamos a performance do negócio.

Há também um movimento de outras companhias, ainda tímido, de tentar melhorar a comunicação de políticas de riscos, buscando sua aprovação pelo Conselho de Administração, e o alinhamento dos riscos junto ao impacto no EBITDA.

O grande argumento para a valorização de qualquer tema dentro das organizações sempre será a mensuração de retorno (RoI) e os impactos da gestão de riscos estruturada no negócio não é diferente. Para uma melhor projeção dessas mudanças, as empresas que pretendem avançar no tema deveriam realizar o mapeamento do capital humano, entendendo a maturidade em relação aos riscos, e avaliar como eles afetam a performance.

Já existe tecnologia para verificar a propensão do comportamento humano no trabalho, em escalas proporcionais de cultura de riscos, disciplinas operacionais e executivas, percepção de vulnerabilidade e dependência de gestão.

Sabendo como as pessoas tendem a se comportar e o tipo de decisão que estão propensas, o desafio do fator humano na gestão de riscos começa a ficar mais claro, dando às organizações subsídios para planejar as ações com os profissionais e implementar controles para resultados financeiros perenes e sustentáveis.

 

 

 Roberto Bazin é diretor executivo de riscos da EY Brasil - livia.farias@maquinacohnwolfe.com