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Quando foi a última vez que você ficou preso no trânsito? Não deve fazer muito tempo. Em São Paulo, motoristas gastam cerca de três horas por dia em deslocamentos. Não surpreende que as grandes cidades brasileiras, entre outras da América Latina, busquem soluções para organizar o trânsito de forma mais eficiente.

Além disso, o tráfego intenso torna-se um obstáculo cada vez maior para quem trabalha com transporte de mercadorias e pessoas.

A sociedade deve buscar novos conceitos de logística e transporte, caso contrário, o transporte de abastecimento, principalmente nas regiões urbanas, entrará em colapso. Como abordar esta questão? Através de maior eficiência na distribuição de cargas. Através de veículos comerciais mais silenciosos e menos poluentes. Através da conexão digital de todos os envolvidos no processo logístico a fim de evitar períodos de espera e duplicação de esforços. Atualmente, apenas cerca de 50% da capacidade de caminhões e vans é totalmente ocupada pois, ao descarregarem no cliente, a maioria dos veículos retorna vazia às suas bases.

O significado do 4.0 na indústria é ainda mais imperativo em uma indústria caracterizada por processos interdependentes, como ocorre com o setor de transportes: significa ir muito além do simples planejamento otimizado de rota através de dispositivos de navegação. São modelos de negócio completamente novos para as empresas. Um exemplo é o que chamaríamos de “transporte solidário” para frete.

Outro exemplo é uma startup com reserva de transporte e rastreamento em tempo real. A conexão de diferentes players e veículos possibilita a otimização da capacidade. Imagine saber em tempo real a capacidade disponível de todos os veículos em todas as rotas. Poderíamos facil mente aumentar o uso, oferecendo esta capacidade ociosa a quem necessite de serviços de transporte.

A eletromobilidade sozinha não resolve o problema. Precisamos de avanços significativos na área de custos, com formas alternativas e híbridas de condução de veículos comerciais, em especial, e que sejam economicamente vantajosas. A condução elétrica é, sem dúvida, bastante adequada aos aglomerados urbanos, pois tanto o transporte de encomendas quanto os ônibus urbanos percorrem distâncias relativamente curtas e repletas de paradas. Apesar das ações andarem na direção certa, a infraestrutura está atrasada. Há muito a fazer. Além disso, surge a questão de onde e como vamos produzir a enorme quantidade de energia necessária.

Até atingirmos a era da eletromobilidade total, teremos por muitos anos o eficiente motor a diesel - principalmente no transporte de longa distância. Os combustíveis alternativos são uma solução temporária eficaz que proporciona confiabilidade e eficiência. Não resta dúvida de que a mobilidade elétrica cresce em ritmo acelerado.

Teremos que fazer mais mudanças no transporte de mercadorias e pessoas. No futuro, a empresa terá um papel mais importante do que a simples fabricação e venda de caminhões. Precisamos estabelecer a mudança do paradigma de transporte e, não menos importante, o quadro regulatório definido pela política.

A legislação pode e deve ser mais parceira do que regulatória. A melhor maneira de traçar o transporte do futuro é através do trabalho conjunto e alinhado.

 

 

Andreas Renschler é CEO da Traton SE e conselheiro da Volkswagen AG - danielle.ritton@volkswagen.com.br