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É verdade que o segmento de startups vem crescendo no Brasil: em 2012, a ABStartups (Associação Brasileira de Startups) contava com cerca de 2.512 empresas iniciantes, e esse número passou de 4 mil em 2016. Porém, uma pesquisa do Sebrae com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços apontou que 30% delas fecharam já em 2018, o que mostra que o mercado nacional ainda é incipiente.

Quando decidi empreender nos Estados Unidos, essa foi uma escolha pertinente com a minha realidade, já que eu morava e trabalhava lá. E por ter sido onde o modelo de startups se solidificou primeiro, assumo que o caminho foi menos tempestuoso. Diferente do Brasil, onde o empreendedor demora mais de 80 dias para abrir seu negócio, em três dias a minha empresa já estava aberta.

Ao decidir vir ao Brasil e nos deparar com esse ecossistema, nossa estratégia foi entender o ambiente em que estávamos entrando. A primeira impressão foi que o universo de startups aqui é instável, característica daquilo que ainda está em formação. Os grandes grupos investidores são bem restritos e quase inalcançáveis, o que perpetua um cenário que já sofre frequentes baixas decorrente das escassas políticas públicas.

Além disso, quando o empreendedor finalmente consegue apresentar seu trabalho, a ideia pode ser rejeitada antes mesmo da segunda página ter sido lida, culpa dele próprio, que não soube transmitir sua proposta corretamente, ou do investidor, que não se permite entender. Outro ponto é que o mercado do Brasil costuma apoiar o que vem de fora, dificilmente criando algo completamente disruptivo, onde nos encaixamos com uma proposta que visa modificar um segmento ainda em crescimento: o de Recursos Humanos.

Nestes casos, para ver a ideia sair do papel e ganhar forma, a captação de recursos pode ser uma boa alternativa. Na minha empresa, por exemplo, contamos com o apoio de amigos, colegas e outros profissionais da área. Apesar disso, persuadi-los a investirem em uma ideia foi tão difícil quanto convencer estranhos. Neste caso, mais importante do que apresentação bonita é o uso de dados e informações realmente relevantes, além de saber como passar credibilidade ao investidor. O empreendedor deve ter total domínio do mercado em que vai se inserir. No momento em que o pitch é realizado e o investidor considera colocar o dinheiro dele em uma ideia, ele quer ter total confiança nas capacidades da pessoa que vai executar.

Ao final de tudo, percebe-se que as instituições brasileiras buscam inovações e fomentam ideias no ramo de Recursos Humanos pela demanda crescente que busca reinventar o relacionamento com os colaboradores e a identidade da marca. Tanto é que, recentemente, o Liga Insights HR Techs, levantamento realizado pela Liga Ventures para o setor identificou que 122 startups nacionais fornecem soluções tecnológicas para o segmento de RH.

Analisando áreas como Aquisição de Talentos, Operações, Performance e Monitoramento, os dados mostram uma tendência para os próximos anos. Ainda que o mercado ainda seja incipiente, em comparação ao que ocorre fora do Brasil, o segmento já está se estabelecendo e se revela como uma tendência para os próximos anos. Esse progresso assinala que temos muito o que aprender, mas estamos passando por uma importante revolução do segmento de carreiras aqui.

Bruno Negretti é Fundador e CEO da Knowe

bnegretti@knowe.com