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Uma das iniciativas mais comentadas nas últimas semanas, o pagamento instantâneo, promete facilitar as transações financeiras entre pessoas, empresas, governo e profissionais autônomos/liberais. A grande dúvida é: como isso vai acontecer no curto, médio e longo prazo?

Podemos entender "pagamento instantâneo" como um projeto conduzido pelo Banco Central, a autoridade monetária do País, previsto para entrar em operação em 2020. O principal objetivo é garantir a interoperabilidade dos meios de pagamentos por meio de transferências instantâneas, disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana.

Com essas características, a expectativa do mercado e também do governo é que o dinheiro flua mais rapidamente para o recebedor/vendedor e com custos de transferência baixos.

Essa expectativa gira em torno de pouco centavos, sendo possível pagar, por exemplo, um cafezinho sem o custo associado às taxas de adquirência ou às de uma TED.

A ideia do Banco Central é criar uma nova infraestrutura, similar a existente para as TEDs (Sistema de Pagamentos Brasileiro, SPB), mas que funcione 24 horas e que não fique restrita apenas às instituições financeiras.

Assim, fintechs, varejistas e iniciadores de pagamento (e-wallets) poderão ter acesso a esta rede, incentivando a compatibilidade e democratizando seu acesso por parte da população. Esta rede também tem como objetivo evitar o surgimento de um monopólio, ou duopólio, de meios de pagamento, caso da China com empresas de e-commerce poderosas como o Alipay e WeChat Pay.

Alguns bancos e fintechs estão se antecipando a esta tendência, procurando criar redes de pagamentos com características similares. Recentemente, o banco Itaú anunciou o lançamento do Iti, aplicativo que terá este recurso e atenderá, inclusive, os desbancarizados. O Mercado Pago também vêm estabelecendo parcerias com estabelecimentos comerciais (redes de farmácia, combustível, restaurantes) a fim de permitir o pagamento online e sem os intermediários tradicionais, como Visa, Mastercard, Cielo, Rede, Getnet, entre outros.

Ainda segue em discussão como tudo isso irá funcionar, mas, imaginamos que essas transferências possam ser feitas por celular, via whatsapp, por exemplo, ou usando QR Code. Biometria facial, pulseiras eletrônicas também são outros caminhos para as (poucas) situações onde não estamos com nosso celular disponível.

As possibilidades e potenciais benefícios para a sociedade são muito grandes. Além da redução dos custos das transações financeiras (TEDs, boletos, guias de arrecadação devem virar coisa do passado), com o advento do Open Banking, podemos estabelecer uma infraestrutura que, em um futuro próximo, atinja um nível de interoperabilidade e de abrangência tão grande que nos permita imaginar uma economia sem dinheiro em espécie. Mais segurança, maior acesso aos serviços financeiros, novos modelos de negócio, maior transparência e, quem sabe, redução da corrupção e da lavagem de dinheiro.

Longe da sua melhor utilização, os meios de pagamento tradicionais estão cada vez mais em desuso, e esta nova tecnologia promete revolucionar o mercado financeiro. O caminho ainda é longo, mas o mais importante está sendo feito: sem um primeiro passo, ninguém sai do lugar.

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