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Sob os fortes impactos do unilateralismo e do protecionismo na ordem econômica internacional, crescem os riscos e as incertezas para a economia mundial. Nesse contexto, ganha relevância a Cúpula do G20 em Osaka como importante plataforma do multilateralismo. E digno de nota, durante a cúpula, foi o encontro entre os presidentes da China e dos Estados Unidos, que terminou com um consenso pela retomada das negociações comerciais com base na igualdade e no respeito mútuo.

Desde o ano passado, os Estados Unidos vêm intensificando a retórica de unilateralismo e protecionismo, a ponto de iniciar uma guerra comercial contra a China com várias medidas protecionistas que atraiu a atenção da comunidade internacional. Ao insistirem que o déficit comercial lhe traz prejuízo, Estados Unidos omitem o fato de que esse déficit se deve, sobretudo, às operações de empresas americanas na China, que tiveram em 2017, um faturamento de US$ 700 bilhões, com um lucro de mais de US$ 50 bilhões.

Na era da globalização, a economia mundial busca maior abertura, interdependência e concorrência leal. Na contramão dessa tendência, as medidas protecionistas de Washington prejudicam tanto os interesses de outros países, como os próprios. O Fundo Monetário Internacional (FMI) rebaixou de 3,6% para 3,3% a previsão do crescimento econômico global para 2019. Uma eventual intensificação dos atritos comerciais reduziria a expansão do comércio mundial para 2,7% este ano, segundo o relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2019 publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A China sempre defende a solução das disputas através do diálogo no princípio de igualdade e benefício mútuo. Nas várias rodadas de negociações, o lado chinês atendem aos interesses do lado americano com muita paciência e boa vontade, por acreditar que a harmonia traz benefícios e o conflito fere ambos os lados. A China está disposta a continuar tratando as divergências através de consultas equitativas, mas jamais cederá em questões cruciais de princípio.

Beneficiários e defensores da globalização, China e Brasil são forças importantes no processo de multipolarização do mundo e vêem-se, mutuamente, como oportunidades e parceiros de desenvolvimento. A China é, há uma década, o maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações deste país. A recente visita do vice-presidente Hamilton Mourão a Beijing rendeu frutos importantes. Em São Paulo, o Consulado Geral da China e o Governo do Estado realizaram o Diálogo sobre Cooperação Pragmática a fim de apresentar projetos de investimento e perspectivas para o futuro de nossa parceria. Ainda este ano, o presidente chinês, Xi Jinping, virá ao Brasil para a Cúpula do BRICS e o presidente Bolsonaro afirmou que visitará a China.

Como disse o poeta João Cabral de Melo Neto, “Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos.” A globalização econômica e a liberalização comercial são tendências irreversíveis. O unilateralismo e o protecionismo, que criam dificuldades para todos, não terão apoio. A parceria ganha-ganha é o único caminho viável. A China está disposta a trabalhar com o Brasil e outros países para seguir a corrente da globalização e defender o multilateralismo e o livre comércio,contribuindo para o desenvolvimento e a estabilidade do mundo.

 

 

Chen Peijie é consulesa-geral da China em São Paulo - yingdoconsulado@gmail.com